A globalização pede uma língua franca
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sexta-feira, 01 de maio de 2009
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
O ensino do inglês, principal idioma usado nas relações comerciais no mundo, precisa mudar. Em vez de priorizar temas como a cultura do país de origem da língua, os professores deveriam preocupar-se em tornar os estudantes capazes de comunicarem-se por meio do inglês, independentemente do sotaque. Quem defende essa tese é a professora Telma Nunes Gimenez, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Com a palestra ''Antes de Babel: inglês como língua franca'', Telma foi uma das participantes do 7 º Encontro de Letras: Linguagem e Ensino (ELLE), realizado esta semana no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CCECA) da Universidade Norte do Paraná (Unopar). O objetivo do evento é discutir o ensino da língua e a sua relação com a sociedade.
''A ideia é fazer uma referência à Torre de Babel, que foi um momento marcado, de certa forma, no texto bíblico, pela diversificação das línguas. Com a globalização, vemos que há a necessidade de uma língua comum no mundo, que funcione como uma língua franca'', argumenta. ''Não é necessariamente a língua falada por falantes nativos com não nativos. É uma língua falada essencialmente por não nativos com não nativos. Por exemplo: um finlandês falando com um brasileiro em inglês. O inglês não é a primeira língua nem do finlandês nem do brasileiro, mas é uma terceira língua, que funciona como uma língua franca'', acrescenta.
Para Telma, técnicas usadas no ensino do inglês como uma língua estrangeira terão que ser ''repensadas e reformuladas'' nesse novo contexto. Uma das principais mudanças seria deixar de ter o falante nativo como padrão e não priorizar os aspectos culturais da nação onde o idioma é falado. No Brasil, a maioria dos cursos prioriza ou a escola americana ou a britânica. Muito embora outros países, como Nova Zelândia, Austrália, Canadá, também tenham o inglês como primeira língua.
O reconhecimento do inglês como língua franca teria como primeira mudança prática no ensino a colocação do estudante em contato maior com as variantes do idioma. ''O professor deverá não associar tanto o inglês a um país específico. A pessoa não deverá aprender para falar com americano, mas para falar com pessoas de qualquer parte do mundo. Não é necessário tentar ser um falante nativo. Hoje o ensino de inglês como língua estrangeira preocupa-se com a maior aproximação possível ao falante nativo. Os testes de proficiência são assim: quanto mais próximo do nativo, maior a nota'', explica.
Ela ressalta que o importante é tentar garantir a inteligibilidade e desenvolver a chamada competência intercultural, que é a capacidade de lidar com uma situação em que não ocorra a compreensão esperada na comunicação. Nos encontros interculturais, aponta, a pessoa não precisa conhecer a cultura do outro para poder interagir.
O grande recurso para o ensino do inglês como língua franca é a internet. As escolas, porém, não estão preparadas porque nem as crianças nem os professores têm acesso à rede. E os livros didáticos usados hoje ainda reforçam a visão do inglês como língua estrangeira.
''A língua franca não tem dono. Por isso, o professor não vai ensinar o que se come, o que se veste, as músicas dos países onde essa língua é falada. Como essa língua é falada em toda a parte do mundo, não temos como falar de uma cultura só, mesmo que a língua fosse de um país só'', ressalta aprofessora.


