''A gente só sai daqui morto'', diz invasor
A demora que irritou as 150 famílias listadas como sem-imóvel e que provocou a invasão da área também está relacionada a uma não liberação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o terreno como área residencial.
O local é bem próximo à margem do Lago de Capivara e ameaça a faixa reservada a recomposição da mata ciliar. Outra irregularidade que está sendo investigada pelo MP é o tamanho do terreno, que seria no papel meio alqueire maior do que é de fato.
O servente José Soares de Souza, 34 anos, três filhos e uma mulher desempregada vivem com um salário mínimo por mês. Ele foi o último a garantir o lote (pelo menos 10 famílias estão na lista de espera), na tarde de sexta-feira. Usou um lençol, emprestou uma lona da prefeitura e colocou galhos para evitar que o telhado fosse levado pelo vento.
Os próprios invasores admitem que a área em que o operário está não consta no loteamento original. Depois a gente dá um jeito. Todo mundo quer sair do aluguel. A gente só sai daqui morto, afirma o técnico de som Sílvio César Pereira, que se declara da comissão dos invasores.
O promotor de Primeiro de Maio disse à Folha que o MP nada pode fazer se a prefeitura não entrar na Justiça com um pedido de ação de reintegração de posse. O delegado Carlos Marcelo Sakoma pediu esclarecimentos ao Departamento de Polícia Civil para saber o que fazer neste caso. A atual administração municipal comunicou o fato à polícia mas, segundo a assessoria jurídica da prefeitura, o município ainda não entrou na Justiça para reaver o terreno. (L.F.M.)





