‘A gente que é pobre não
consegue dar presente’
Na entrega dos presentes, três ônibus se revezavam para buscar e levar as crianças das 30 entidades cadastradas até o Moringão (centro da cidade). Lá, além dos brinquedos, as crianças também ganhavam um corte de cabelo. Nem o calor conseguiu desanimar a criançada que esperava, paciente, a vez de receber seu presente.
Para a faxineira Maria de Lourdes Nascimento, 44 anos, mãe de Vanessa Juliana Pires, de 14 anos, aluna do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), a iniciativa do cabeleireiro foi muito louvável.
‘‘A gente que é pobre nem sempre consegue dar um presentinho para os filhos. Eu tenho quatro filhas e fica difícil, com meu salário, comprar brinquedos para eles’’, contou. Além de Vanessa, Maria de Lourdes ficou na fila com os filhos de uma amiga grávida que passou mal com o calor e foi embora.
A pequena Amanda, de 2 anos, nem sabia falar seu próprio nome completo mas não escondia a felicidade de ter ganho um dinossauro de pelúcia. ‘‘Ele é lindo’’, disse.
Para ela, juntamente com outros 30 coleguinhas da creche Ana Proveller, do Jardim Paraíso, zona norte, este pode ter sido o único presente que vai ganhar neste Natal.
‘‘Ali é uma região muito pobre. E se não fosse a bondade dos outros, talvez eles nem soubesse o que é Natal’’, disse uma das atendentes da creche, que preferiu não se identificar. (T.E.)

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