'A gente entra sem ideia de nada'
Vinda de Limeira, no interior de São Paulo, para fazer faculdade na Federal do Paraná, Giovana Marques da Cruz, 22 anos, se sentiu insegura quando decidiu mudar do curso de Física para o de Geologia. ''Eu me sentia muito sozinha; achava que não havia mais ninguém na mesma situação que eu. Era uma pessoas mais nervosa'', lembra Giovana.
Quando teve de decidir qual carreira seguir, aos 18 anos, ficou na dúvida entre os dois cursos. Acabou optando por Física. No primeiro ano, ainda levou bem as disciplinas. Só depois se deu conta que não era nada daquilo. Nesse momento bateu a insegurança. ''Eu havia vindo para Curitiba para estudar, então pensava nos meus pais, que estavam me bancando e eu iria perder dois anos'', conta.
Ao contrário do que imaginava, Giovana encontrou o apoio para a mudança em casa. Já no programa oferecido pela UFPR percebeu que não estava só. ''Encontrei um monte de gente na mesma situação que eu'', alivia-se. ''O programa não diz qual curso você tem que fazer, como uma orientação profissional, mas aponta as afinidades, qualidades e habilidades''.
De acordo com Giovana, a orientação do ''Repensando a Escolha'' a ajudou superar a mudança sem tantos traumas. ''Eu iria mudar de qualquer jeito, pois não estava feliz antes. O programa acabou por tornar a mudança mais fácil'', diz Giovana, que se diz empolgada com o curso de Geologia.
O universitário Mozart Tomazetti, 20 anos, que mudou de Tecnologia e Sistema da Informação para Ciências da Computação, atribui a escolha ''errada'' ao ensino médio. Segundo ele, falta orientação para os jovens no momento de escolher a profissão. ''Quando se está no terceiro ano do ensino médio, não se tem muita noção do que são os cursos. A gente entra sem ideia de nada'', diz.
Isso Tomazetti só descobriu depois, quando já estava insatisfeito com o curso que havia optado. Quando decidiu participar do ''Repensando a Escolha'' esbarrou na pressão dos pais. ''Meus pais queriam que eu terminasse o curso primeiro para depois começar o outro'', conta. Só depois de muita conversa, conseguiu o aval da família para a mudança. ''Desistir depois de um ano de curso faz a gente pensar que vai perder um ano, mas no meu caso foi mais tranquilo, pois são faculdades semelhantes'', avalia.
Para mudar de um curso para outro dentra da UFPR, os dois estudantes participaram das etapas do Processo de Ocupação de Vagas Remanescentes da Universidade (Provar). (T.A.)





