Salto del Guairá - Uma volta pelas ruas de Salto del Guairá, cidade que fica no Paraguai, do outro lado do lago de Itaipu para quem está em Guaíra, evidencia a falta de segurança da região e a facilidade para se passar produtos ilegais de um país para o outro.
Na cidade, o discurso de comerciantes e autoridades municipais é afinado. Todos comentam que o maior desafio no momento é não deixar que aconteça com a ''municipalidad'' o mesmo que aconteceu com Ciudad del Este, que virou um centro de vendas de produtos importados da China para sacoleiros brasileiros.
No entanto, a impressão que fica para o turista que visita Salto é de que as coisas começam a escapar do controle por ali. Enquanto os shoppings ''pipocam'' pela cidade, nas calçadas das ruas mais movimentadas camelôs abordam os turistas. Os principais produtos oferecidos são o ''mata-sogra'', que é um canivete, e o Pramil, ou ''Viagra do Paraguai'', um remédio de venda proibida no Brasil que age como estimulante sexual masculino.
Para vender o medicamento, os ambulantes disputam o potencial comprador. Falando sempre em tom de cochicho, eles procuram fazer a venda de forma disfarçada, travando uma guerra de preços. Um primeiro ofereceu à reportagem da FOLHA uma cartela com 20 comprimidos por R$ 35. Duas abordagens depois, a cartela já estava saindo por R$ 10.
Os mesmos vendedores de Pramil ''dão a letra'' sobre como conseguir outros produtos ilícitos. Um deles passou o número do telefone celular aos jornalistas e, por telefone, combinou a venda de um revólver calibre 38, que custaria R$ 800. ''O senhor pode passar tranquilo com a arma pela aduana, não estão parando os carros. Mas se quiser pagar mais R$ 200 podemos arranjar um canoeiro que vai entregar o material em Guaíra'', relatou o paraguaio, que se identificou apenas como Alex.
Pelas águas do lago que faz a fronteira entre Brasil e Paraguai, é possível navegar sem grandes incômodos. Por R$ 50 um pescador brasileiro foi contratado pelos jornalistas da FOLHA ao lado de onde atraca a balsa que faz a travessia entre os dois países, no Paraguai. Apesar das mochilas cheias, os repórteres não foram incomodados pelo soldado do Exército paraguaio que fazia a segurança no local.
No lago, diversos barcos atravessam de um lado para o outro. Nas margens, existem alguns pontos para embarque e desembarque. Durante o tempo que a reportagem navegou pelo lago, nenhum tipo de fiscalização policial brasileira ou paraguaia foi avistada.
Efetivo insuficiente
De acordo com o agente da Polícia Federal (PF) Walter Spitz, responsável pela Delegacia Especial de Polícia Marítima (Depom) de Guaíra, é feito um esforço muito grande por parte da PF, mas o efetivo à disposição ainda não é o suficiente para uma fiscalização mais intensa no lago. À disposição da Depom estão 18 barcos, mas apenas 20 homens para fiscalizar uma área fluvial que vai de Mercedes (110 km a oeste de Cascavel) até a divisa do Paraná com o Mato Grosso do Sul.
Spitz reconhece que é muito difícil fazer a abordagem a todos os barcos que circulam durante o dia na represa. ''Trabalhamos fiscalizando por amostragem'', explica. Segundo ele, à noite a fiscalização policial se torna mais intensa no lago, pois é quando o sol vai embora que os contrabandistas começam a agir em peso.
''Fazemos um trabalho de repressão para inibir o contrabando. Em relação ao tráfico de drogas e de armas, trabalhamos de maneira mais específica, pois trata-se de um crime organizado, que conta com olheiros e informantes'', detalha.

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