Sabemos que um bom texto deve trazer uma mensagem consistente e coerente e seguir uma lógica – começo, meio e fim – de fácil identificação e acompanhamento pelo leitor. Contudo, o texto dissertativo, que é aquele pedido no vestibular, exige algo mais, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento das idéias.
Pode-se dizer que esse ‘‘algo mais’’ encontra-se na própria definição do termo dissertação (que é uma das formas de direcionar as idéias quando se escreve; as outras são a narração e a descrição). Quando dissertamos sobre alguma coisa ou alguém, estamos direcionando nossas idéias no sentido de defender ou criticar uma tese, uma opinião, um ponto de vista etc.
Assim, fica fácil perceber que um texto dissertativo exige uma defesa de idéias, elaborada com base em argumentos, tão bem fundamentados que sejam capazes de persuadir, de convencer o leitor ou, pelo menos, de levá-lo a pensar, a refletir. O texto dissertativo, portanto, fundamenta-se na argumentação.
Texto dissertativo em números
Os objetivos são os mesmos, mas os nomes, diferentes. No texto dissertativo, o começo, o meio e o fim recebem a denominação de introdução, desenvolvimento e conclusão.
O desenvolvimento, que é o espaço reservado para a argumentação em defesa das idéias apresentadas na introdução, responde por 60% do total de texto. Os 40% restantes devem ser repartidos, igualmente (20% para cada um), entre introdução e conclusão. Assim, num texto de 20 linhas, para a introdução ficariam reservadas 4 linhas; para o desenvolvimento, 12 linhas e para a conclusão, as outras 4 linhas.
Claro que a escrita permite alguma flexibilidade em relação a essa rígida equação, mas é recomendável guardar as proporções e lembrar, sempre, que a parte mais substanciosa do texto dissertativo é mesmo o desenvolvimento.
De volta à argumentação
Define-se argumentação como o tipo de raciocínio que leva a uma dedução, a uma conclusão a respeito de alguma coisa. Argumentar seria, então, o mesmo que deduzir, concluir e, por associação de idéias, o mesmo que defender, criticar, opinar.
Argumentamos o tempo todo e nem nos damos conta disso. Argumentamos para defender um filme a que assistimos, um CD de que gostamos, um livro que queremos que nosso amigo também leia. Argumentamos quando vamos sair para uma ‘‘balada’’ e nossos pais definem um horário rígido de volta para casa. Os pais argumentam quando os filhos, diante de um ‘‘não pode’’, fazem o inevitável questionamento ‘‘por que não?’’.
Todos temos, portanto, opinião e, em caso de necessidade, sabemos defendê-la muito bem. Por que não aplicar essa prática de nosso cotidiano à escrita?
Vamos ver, amanhã, como argumentar bem por escrito.
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