A festa acabou
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Sid Sauer<br>Equipe da Folha 
Campo Mourão - Muitas pessoas não gostam. Uns até xingam. Outros vibram quando tudo termina. Mas o encerramento da campanha eleitoral foi o fim de festa para muita gente. Pelas ruas da cidade não se vêem mais os carros de som com seus jingles que encantavam as crianças. Também sumiram as bandeiras que ficavam em cada esquina e voltou a fechar o velho prédio da área central que havia virado comitê.
Não tem mais carro de som correndo pra cima e pra baixo; não tem mais bandeiras tremulando no Calçadão; não tem mais chuva de santinhos; não tem mais chaveirinhos, réguas e canetas; não tem mais show de graça no meio da rua; não tem mais camiseta; nem bicicleta desfilando com os cartazes de um ou outro candidato. A cidade está menos poluída, é verdade. Mas não dá para negar o clima de fim de festa.
O seo Manoel voltou a colocar a velha plaquinha de ``Aluga-se`` na sua antiga mercearia, que servira de comitê por mais de três meses. A Aninha, sempre tão esperta, já foi vista correndo atrás de um emprego de diarista. Ela lamenta. Jura que ganhava mais tremulando uma bandeira na esquina da Praça Getúlio Vargas. E o Osvaldo? Voltou a vender sorvetes. Mas se pudesse, continuaria segurando aquela faixa no semáforo.
A dona Izabel também não gostou do fim da campanha eleitoral. Pudera. Pela primeira vez ela soube o que era um trabalho remunerado. Dona-de-casa durante toda a vida, ela aproveitou a campanha para distribuir santinhos e, assim, complementou a minguada pensão que recebe. Com o dinheiro extra, vai comprar a sonhada televisão colorida. Um filho, que foi motorista na campanha, vai ajudá-la na compra.
Já a Fernanda, no auge dos seus 16 anos, está triste, mas esperançosa. Acha que os três meses que trabalhou como secretária no comitê vão ajudá-la a conseguir o primeiro emprego. ``Ainda é pouco, mas agora tenho experiência``, conta. A vizinha dela, Lucimara, não tem tanta animação. Telefonista desempregada há mais de um ano, ela passou a campanha toda pedindo votos por telefone. ``Foi um bom bico, mas acabou``, lamenta.
Para Guilherme, que ``faturou uma graninha``, como diz, carregando uma bandeira na garupa de sua bicicleta, é hora de voltar à rotina. Emprego agora, só de madrugada, entregando jornais. Já Fábio, que usou sua câmera para filmar comícios, volta à rotina de só ter o que fazer nos finais de semana, filmando casamentos e festas infantis. A festa acabou. Mas daqui a dois anos tem mais. E tem gente que nem vê a hora dessa nova campanha chegar...


