A felicidade infantil na pequena cidade
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Redação FolhaWeb 
''Vou num pé e volto n'outro/No sítio levar almoço/A colheita está em pleno vapor/Sol e vento nos cachos de trigo, um mar dourado, a plantação''. A segunda estrofe do poema Minha Astorga revela o orgulho de um garoto de 9 anos, que estuda o 5º ano em escola pública, de viver no próspero município do Norte Central, de cerca de 25 mil habitantes, instalados em terras férteis, grande produtora de grãos.
''Vou num pé e volto n'outro/Cidade pequena tem esta vantagem/A todo canto posso ir sem fazer grande viagem''. Na quinta estrofe, o autor, Ulisses Gallo de Lima, provoca, em sua ode, as crianças da cidade grande. Quase um suspiro de satisfação pela liberdade que só o interior é capaz de oferecer.
A força da composição de Ulisses se sustenta na ideia de que a velha infância resiste no mundo novo, onde os encantos são cada vez mais virtuais. ''Vou num pé e volto n'outro/Com os amigos na rua brincar, chutar bola, pega-pega, esconde-esconde, na sombra das árvores me refrescar/Carro na rua quase não passa e o vovô estica a vida na praça'', diz a terceira estrofe.
A obra comoveu os julgadores da 3 edição da Olimpíada de Lingua Portuguesa Escrevendo o Futuro, competição bienal entre escolas públicas promovido em conjunto pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Cultural.
Na solenidade em Brasília, Ulisses subiu ao palco, vestiu a medalha de ouro, recebeu dois presentes que toda criança gostaria de ganhar, mesmo aquelas do interior mais tradicionalista: um notebook e um tablet.
Virou herói da Escola Municipal Monsenhor Celso, também premiada com um laboratório inteiro de informática: dez computadores, um datashow, uma impressora e livros suficientes para formar outra pequena biblioteca. A glória foi completada com o desfile triunfal no caminhão do Corpo de Bombeiros pela cidade, que retribuiu a homenagem que recebeu do pequeno filho com aplausos e gritos de saudação pela conquista.
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