Curitiba - Há 50 anos, o japonês Yoshikazu Okada teve o que ele definiu como uma ''revelação divina''. Empresário, ex-militar e pesquisador de religiões, Okada declarou que, a partir de 1962, a humanidade passaria por um período de grandes e radicais transformações. Começava, então, a Era do Batismo de Fogo, marcada por catástofes climáticas e ambientais, guerras, conflitos políticos, discórdias em família e epidemias.

Esse processo, segundo ele, levaria a raça humana à purificação. E o materialismo do século 20 seria substituído pela busca da evolução espiritual. Surgia, assim, a base conceitual da Sukyo Mahikari (algo como ''o ensinamento supremo da luz verdadeira''). Também chamada de Mahikari, a organização - que não adota o termo ''religião'' - já conta com seguidores em mais de 80 países. Inclusive no Brasil, onde a primeira sede (ou dojo), situada em São Paulo, acaba de completar 35 anos.

Não se sabe exatamente quantos fieis tem a Mahikari mundo afora. São ''informações confidenciais'', como explica Rui Nishioka, 49, diretor da sede regional de Curitiba e responsável pelas atividades nos três estados do Sul. Ele conta que, entre os anos 60 e 70, Okada fez várias viagens internacionais para divulgar seus ensinamentos. Mas após sua morte, em 1974, a organização optou pela discrição e uma certa resistência em atender a imprensa.

Aliás, o primeiro site oficial da instituição só foi lançado recentemente. Antes disso, as referências à Mahikari na internet eram em sua maioria negativas, em páginas criadas por dissidentes insatisfeitos. ''Acredito que a Mahikari vai se abrir mais no século 21'', diz Nishioka, que se limita a afirmar que o Brasil conta com ''dezenas de milhares'' de membros.

Só no Paraná são nove sedes oficiais, sendo que a de Curitiba, no bairro do Hugo Langue, chega a receber mais de 600 pessoas durante as cerimônias mensais. A meta é evoluir de dojo de nível intermediário para o de grau superior, a exemplo de São Paulo. Para isso, o grupo pretende se transferir em breve para um terreno maior, não muito longe dali.

Questões institucionais à parte, a grande marca da Mahikari é o Okiyome. Trata-se de uma técnica de imposição de mão praticada com o objetivo de purificar por meio da irradiação da ''luz espiritual''. Diariamente, qualquer pessoa pode oferecer e receber o Okiyome na sedes oficiais.

Mas para praticar a chamada Arte Mahikari é preciso participar de um seminário intensivo de três dias, ao custo de R$ 350. Curso concluído, o seguidor ganha o Omitama (uma espécie de medalha sagrada) e já pode se considerar um kumite (''aquele que está de braços dados com Deus''). Também está autorizado a fazer o Okiyome em si mesmo e nos outros, além de animais e objetos - menos a distância.

Essa acessibilidade reforça o caráter de ''suprarreligião'' da entidade, como os seguidores gostam de definir. ''Temos pessoas de todas as religiões aqui, até padres e monges budistas que vêm receber o Okiyome. A Mahikari transcende as barreiras religiosas, porque Deus é um só'', afirma Nishioka.

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