A evolução da medicina
Edson Higo do Prado
Agência Estado
Um enorme banco de dados mostra para a candidata a futura mamãe fotografias de cabelos, olhos, perfil de nariz; em outro arquivo, a curva do QI, altura ideal.... Cabe à cliente ir selecionando, clicando na imagem que escolheu. Pronto: sua encomenda já será encaminhada ao laboratório genético para que um embrião possa ser fecundado de acordo com a sua escolha.
- Já é possível escolher sexo do bebê
- Médicos podem identificar cerca de dez doenças genéticas nos primeiros estágios de desenvolvimento do embrião
- Descoberta recente deve acelerar o controle de doenças cardiovasculares
Por enquanto, essa cena ainda é obra de ficção. Mas nas próximas décadas, acreditam os cientistas, tudo isso fará parte do cotidiano. A evolução da medicina no século 21 estará intimamente ligada ao desenvolvimento da genética e da biotecnologia. Alimentos transgênicos constituem apenas uma das facetas polêmicas da engenharia genética.
No atual estágio das pesquisas, o que já é possível fazer é escolher o sexo do bebê com pequena margem de erro e os médicos já podem identificar cerca de dez doenças genéticas consideradas graves ainda nos primeiros estágios de desenvolvimento do embrião.
De todas as batalhas no front da genética, talvez a mais crucial esteja sendo conduzida por laboratórios e universidades dos governos norte-americano, inglês, japonês e alemão por um lado e por laboratórios farmacêuticos por outro. Trata-se do Projeto Genoma Humano, iniciado em 1989, que tem por objetivo decifrar o código de cada um dos 100 mil genes que determinam o biotipo do ser humano. Em 1990, os cientistas haviam identificado 4 mil dos 100 mil genes que constituem o ser humano.
O objetivo do projeto, orçado inicialmente em US$ 3 bilhões, é decifrar cada um dos 100 mil genes, identificando a proteína produzida por gene e definindo a sua função específica. Com essas informações precisas, será possível à medicina genética interferir diretamente no gene responsável por alguma doença e evitar, por exemplo, que uma pessoa que carrega uma anomalia familiar transmita-a para seu filho. No início, por causa do volume de recursos necessários, somente o governo podia financiar a empreitada. Os laboratórios e instituições de ensino superior envolvidos definiram como prazo o ano de 2005.
No entanto, em pouco tempo, as pesquisas atraíram o interesse de laboratórios farmacêuticos. Afinal, seus resultados podem significar o tratamento de doenças e representar lucros fabulosos. Nessa área, ganha quem conseguir as informações necessárias para pleitear a patente. O resultado dessa corrida significou a acelerarão das pesquisas. Agora, os pesquisadores do Projeto Genoma anunciaram um relatório preliminar para 2001 e o final da pesquisa em 2003.
Mas esse é apenas o início de mais um capítulo na história da Medicina contemporânea. Pesquisadores da Universidade de Tufts, em Boston, descobriram recentemente um fato que pode acelerar o controle de doenças cardiovasculares, ajudando a prevenir e até recuperar áreas afetas por enfarte. Eles injetaram fragmentos de DNA humano, contendo o gene responsável pela reprodução de células de vasos sanguíneos, em pacientes que tinham passado por cirurgia cardíaca. Exames comprovaram que pequenas veias multiplicaram-se nos lugares que estavam mal irrigados. A Medicina tem um vasto campo de crescimento neste século 21, com a ajuda multidisciplinar da Genética, da Biotecnologia e da Biologia Molecular.





