A euforia de vencer o medo
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Você saltaria em queda livre de uma altura de 30 metros, em uma rede de 10 m x 10 m? A prática, comum em outros países, está ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, e o responsável pela popularização desta espécie de ''loucura controlada'' é Max Frederick Wienand, um alemão recordista em esporte de aventura, que garante: práticas como a queda livre e o bungee jump e todas as suas variações praticamente não apresentam riscos, desde que as normas de segurança sejam rigorosamente obedecidas.
Wienand esteve em Londrina na última quinta-feira para participar do 1º Encontro de Turismo Alternativo Desvendando o Turismo de Aventura, promovido pela aluna de Turismo e Hotelaria da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Milu Leão Duarte. Segundo ele, o caso da estudante Letícia Santarem Amaro Rodrigues, de 20 anos, que morreu recentemente em Araguari (MG), ao saltar de bungee jump em um pontilhão ferroviário, foi um ''descuido total''. Wienand explica que os equipamentos, além de seguros, apresentam sistemas de emergência (veja box nesta página), mas que nada disso adianta se cuidados básicos com a manutenção não forem tomados. ''A morte da estudante foi uma tragédia causada por falha humana'', definiu.
Max Wienand trabalha com bungee jump há mais de 10 anos, e é dono da maior empresa de atrações interativas hoje no Brasil. Os esportes de aventura, segundo ele, estão se popularizando no País, e o que atrai é justamente a alta dose de adrenalina produzida pelo organismo, que logo em seguida experimenta a sensação reconfortante de ter sido ''salvo''. ''O medo intenso é seguido de uma sensação de euforia, que em alguns casos pode durar vários dias'', relata Wienand.
Ele conta que os profissionais que trabalham com este tipo de atividade muitas vezes têm que fazer uma espécie de terapia com as pessoas, que procuram o lazer mas na hora H são tomadas pelo medo. ''Costumamos dizer a elas que nunca estiveram diante de uma situação tão segura. Temos o total controle do que vai acontecer.''
Wienand fala com conhecimento de causa. Constantemente desafiando limites, ele já quebrou o recorde brasileiro de bungee jump de guindaste, saltando a uma altura de 120 metros; quebrou o recorde mundial de salto em grupo, com 14 pessoas; lançou no Brasil o moto jump e o car jump (saltos com moto e carro, respectivamente) e também a catapulta (bungee jump ao contrário, onde um ''estilingue'' lança a pessoa de baixo para cima). Em novembro do ano passado ele aceitou o desafio de um programa de TV e sua empresa realizou o primeiro e único sand bagging no País: o elástico do bungee jump estica ao máximo, e ao chegar bem próximo do chão a pessoa se solta, ficando no solo. Para definir o que o leva a viver sob tanta adrenalina, ele diz simplesmente: ''É muito bom.''


