Segundo o filósofo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lourenço Zancanaro, a palavra ética, que é oriunda do grego ''ethos'', significa modo de ser, caráter. ''A ética sempre busca o bem, fazendo com que a ação seja boa e justa'', afirma.
Para Zancanaro, a ética, tanto no Direito, quanto nas demais áreas, é um processo de aprendizado. ''Ser ético no Direito é cumprir a lei, mas a lei tem que ser justa, cega, isto é, igual para todos. Isso é difícil porque todos têm seus interesses. Conclusão: ninguém tem autoridade moral neste planeta. Somos frágeis, egoístas, anti-sociais. Precisamos nos reeducar sempre. A ética é uma forma de vida adquirida e conquistada. Enquanto houver homens, estes precisam se reeducar''.
No exercício da profissão desde 2004, a advogada Caroline Costa Drummond frequentou por um ano, na faculdade, disciplina envolvendo a ética. ''Foram trabalhados, principalmente, o Código de Ética do Advogado e o Estatuto da OAB''. E defende a ética como o substantivo que, de fato, é, na área. ''Aprendi que ética é um substantivo. Porém, hoje em dia, está mais para adjetivo''.
Aos 27 anos, Caroline acredita que, atualmente, muitos não vêem com bons olhos o Direito. E enumera dois fatores. ''Em primeiro lugar, porque nem sempre a justiça é alcançada ou porque se espera tempo demais para alcançar a prestação jurisdicional pleiteada. Em segundo lugar, em razão dos maus profissionais, que corrompem e são corrompidos, quase que assaltam as partes e ainda zombam dos honestos''.
Para a advogada, o que ocorre é que, mesmo se tratando de uma ''minoria inexpressiva'', os atos desses maus profissionais acabam por denegrir a imagem da profissão. ''Violação à ética é, felizmente, uma exceção e não uma regra em nossa atividade'', finaliza.
Advogada e mestre em Direito Negocial, Maria Fernanda Rossi Ticianelli ressalta a ética além dos bancos acadêmicos. ''Busco exercer a advocacia com coragem, liberdade e determinação, pautada nos conceitos de ordem moral, advindos não somente do curso de Direito, mas do convívio com a família, com os amigos e com os colegas de profissão''.
Para Maria Fernanda, no Direito de Família, por exemplo, essa percepção faz toda a diferença. ''Quando os casais se decidem por uma separação judicial, é preciso mostrar ao cliente que o processo litigioso não é a melhor solução, pois devemos sempre procurar uma composição entre as partes''.
Partidária da mesma opinião de Caroline, Maria Fernanda sublinha a forma de atuação e a postura de cada advogado como requisitos para o exercício da ética. ''Infelizmente, a busca pelo sucesso e pela realização financeira tem resultado em equívocos de condutas de uma minoria, o que influencia de forma negativa a imagem do advogado junto à sociedade. Entretanto, acredito que a advocacia é vista, em geral, como uma função fundamental para o efetivo exercício dos direitos dos cidadãos''.

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