A esperança que vem no novo ano
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Pitangueiras - A perda da filha Flávia na luta contra o câncer, com apenas 20 anos de idade, foi o que motivou o casal Orailde e Odécio Ferrarini a distribuir centenas de doces e brinquedos no primeiro dia do ano para as crianças na cidade onde moram, a pequena Pitangueiras (Região Metropolitana de Londrina). Há 14 anos, toda família - o casal, a filha, o genro, e dois netos se reúne para encher bolas e preparar saquinhos repletos de doces e guloseimas. É no dia primeiro de janeiro, então, que a casa fica tomada de presentes a serem distribuídos às crianças do município, de cerca de 3 mil habitantes.
"Ver a alegria dessas crianças é o que me dá forças para seguir em frente e amenizar a dor que a ausência dela nos faz. Precisava ajudar ou fazer algo em nome dela", diz Orailde, que teve a ideia dos presentes um ano após a morte da filha. Ela conta que entre a descoberta do linfoma, tratamento e a morte de Flávia, passou pouco mais de um ano. "Essa situação nos pegou muito de surpresa e até hoje tenho dificuldade em acreditar que aquela menina tão saudável, ativa e alegre tenha nos deixado", emociona-se ao lembrar que a filha tinha acabado de iniciar a faculdade de Enfermagem.
Como toda ideia, começou pequena e foi aumentando ao longo dos anos. "Na primeira vez, preparamos presentes para 60 crianças. A cada ano fomos aumentando o número e, em 2014, esperamos atender quase 500 crianças, praticamente todas de até 12 anos que moram na cidade", conta a filha mais velha, Kátia Ferrarini. Para dar conta de preparar os presentes, durante três dias, ela, o marido e o dois filhos ajudam os pais a encherem as bolas e os sacos de doce. "Eles dão muita força e gostam de participar. Meu filho mais velho presenciou todo nosso sofrimento na corrida contra a doença de minha irmã. Eles sabem como é importante este ato para nós", diz.
A maioria dos presentes é comprada pela própria família, mas, diante do empenho, algumas doações são recebidas. "Além da bola, cada criança recebe um saquinho com 12 itens, entre pipoca, pirulito, balas e chiclete. No total, 500 bolas, 50 quilos de bala, 20 quilos de pirulito e dezenas de caixas de torrone e sacos de pipoca", enumera Odécio. E a entrega já se tornou uma tradição. Logo cedinho, dezenas de crianças esperam no portão da casa para ganhar o presente. "Seis horas da manhã tem gente batendo na porta; a entrega acontece durante toda a parte da manhã." Antes, porém, tudo abençoado pelo padre da cidade.
A data escolhida, segundo Orailde, foi por um costume antigo de cidade pequena em que as famílias distribuíam lembranças à vizinhança. "É uma data simbólica mesmo, mas ficou muito marcada, também, por uma passagem de ano que estávamos com ela numa sessão de quimioterapia. Então, escolhemos o primeiro dia como forma de renovar a fé e alegria no ano que começa. Alegria e bom humor que Flávia nunca deixou de ter, mesmo muito debilitada", recorda. Para o pai, a doação de doces e bolas, acompanhados de abraços, amenizam a dor da perda da filha. "É uma pequena homenagem à nossa filha tão amada que partiu. O carinho que recebemos é o que nos motiva a não parar."


