A esperança que move os sonhos
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2006
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Ibaiti - ''Eu quero ser um psicólogo ou um cantor, é o meu sonho. Se eu estudar muito, trabalhar e ajudar as pessoas a serem mais felizes, serei feliz''. Com essas e outras palavras, colocando os seus sonhos no papel, o garoto Paulo Henrique de Oliveira Santos, 14 anos, aluno da escola de educação especial Tio Teófilo, filiada à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Ibaiti (Norte Pioneiro), conquistou o primeiro lugar no concurso de artes literárias do 3º Festival Nossa Arte. O evento foi realizado na última semana em Tomazina (101 km ao sul de Jacarezinho), pela Federação das Apaes do Norte Pioneiro.
Morador do distrito rural de Campinho (a 18 km de Ibaiti), Paulo Henrique, que frequenta a Apae devido a uma deficiência mental, concorreu com alunos especiais de outras sete escolas da região e agora aguarda com ansiedade a fase estadual do concurso.
A capacidade de sonhar do menino é uma lição para quem vive reclamando da vida. Em um pequeno barraco, de aproximadamente dez metros quadrados, sem banheiro, com o chão de terra batida e muitos vãos nas frágeis tábuas que servem de paredes, ele mora com a mãe, o pai, três irmãos e um tio. ''A maior dificuldade da minha vida é ser pobre'', sintetiza.
A família toda, por incrível que pareça, é sustentada pelo salário mínimo que Paulo Henrique recebe, chamado de Benefício de Prestação Continuada (BPC), repassado pelo governo federal aos portadores de deficiência que tenham dificuldades financeiras. O terreno onde está a casa também é do menino. Ele ganhou da avó que morreu recentemente.
O pai do garoto, Arnaldo Santos, é vigia de uma destilaria de álcool de Ibaiti, porém, afastado do serviço devido a um problema de circulação sanguínea nas pernas, não recebe o salário de R$ 600 há quatro meses, desde que, segundo ele, o auxílio doença que recebia do INSS foi suspenso. ''Nesta semana faça uma nova perícia, espero voltar para o serviço'', comentou Santos, que a exemplo do filho e da esposa também toma remédios controlados.
Questionado sobre quais são os outros desejos que gostaria de ver realizados e que não foram para o papel, Paulo Henrique é rápido para enumerar coisas que são mais urgentes. ''Eu quero ter uma casa nova, ser 'bem de vida', ter uma bicicleta e um vídeo-game. Já orei e sei que vou ganhar uma bicicleta. Se não acontecer agora, quando eu for grande vou ter tudo isso'', responde ele com muita fé.
De acordo com Elizete Correia do Prado, diretora da escola especial Tio Teófilo, 132 crianças são atendidas pela unidade de Ibaiti. Além de Paulo Henrique, a escola teve outros alunos premiados no 3º Festival Nossa Arte. As crianças ibaitienses também ficaram com o troféu de campeãs na categoria dança e de segundo lugar na categoria artesanato.


