Esperar pelo ônibus não é uma atividade das mais seguras para os moradores das proximidades da Rua Raul Coutinho, no Conjunto Semíramis (zona norte de Londrina). O teto cheio de buracos e os pilares de sustentação envergados passam a sensação de que o ponto pode cair a qualquer momento. Isso sem contar o mato alto e o monte de lixo que se acumulou por ali, atraindo bichos e mosquitos.
Esse retrato é comum em alguns pontos de ônibus da cidade, principalmente em bairros mais simples. A reportagem da FOLHA percorreu todas as regiões e encontrou vários deles cercados de mato, com piso quebrado e teto e pilares avariados. A falta de condições de abrigo fez surgir até uma boa dose de criatividade dos londrinenses que dependem diariamente do serviço de transporte coletivo. Como na Rua Guilhermina Lahmann, no Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte), onde um morador instalou um balanço improvisado com uma corda e um pneu de bicicleta para quem não quiser aguardar pelo ônibus em pé.
A dona de casa Cristiane da Cunha costuma usar frequentemente o serviço de transporte coletivo, mas reclama por melhor estrutura. "Aqui sempre foi precário. Esse ponto é bastante usado, podia ter uma estrutura melhor. Quando chove, fica complicado. Também tem muito idoso e não tem lugar pra sentar", contou. Um pouco mais abaixo, na mesma rua, o mato alto tomou conta outro posto de embarque e desembarque do transporte público.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) garante que o problema está prestes a acabar. O diretor de Trânsito, Wilson de Jesus, afirmou que o órgão tem trabalhado intensamente na substituição de pontos antigos, passo considerado importante. Somente em 2015 foram instalados 250 novos pontos adquiridos pela Prefeitura de Londrina, além de outros 50 colocados pela própria companhia. O número atingiu a meta estipulada por um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado entre Prefeitura e Ministério Público.
E o trabalho, segundo o diretor, continua em 2016, com 65 novos pontos já colocados. "Já estamos atingindo um patamar bastante razoável naquilo que diz respeito à substituição de áreas de embarque e desembarque que não tinham nem cobertura nem banco. Londrina é uma das poucas cidades do Brasil em que vamos reduzir drasticamente a existência dos pontos simples", apontou Jesus.

CONCENTRAÇÃO
De acordo com dados da companhia, restam em toda a cidade pouco menos de 180 pontos do tipo palito – do total de 2,5 mil. "A ideia é que ainda neste primeiro semestre a gente consiga expandir para esses que ainda restam", projetou o diretor da CMTU.
A reportagem confirmou que a troca de pontos já passou por algumas regiões da cidade, como na Avenida Celso Garcia Cid (zona leste). A substituição passa nos últimos dias pelo centro, na Rua João Cândido e Avenida Higienópolis, locais de grande concentração de usuários do transporte coletivo e fluxo de veículos, que têm prioridade. "Fora a ação que está sendo feita nos bairros", acrescentou.
Na Rua José Francisco Pereira, no Jardim Neman Sahyun (zona sul), um ponto de ônibus, que já estava avariado, caiu no dia 10 e permaneceu assim até ontem, quando a CMTU fez o reparo após ser avisada do problema pela reportagem. A CMTU afirmou ainda que 80 pontos estão sendo revitalizados na cidade, com reparos, pintura, instalação de bancos e melhorias no calçamento.
Jesus informou também que a ordem de serviço já foi emitida e até a próxima segunda-feira (21) a estrutura do ponto na Rua Raul Coutinho será reparada. O diretor garantiu também que as coberturas já estão sob posse da CMTU e em breve serão implantadas na Rua Guilhermina Lahmann.
A companhia pede à população que entre em contato para informar sobre pontos em condições ruins pelo telefone 3379-7900, do Serviço de Atendimento à Comunidade (SAC), de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17 horas. A queixa também pode ser enviada ao e-mail [email protected].

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