À espera de uma cirurgia
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
No Dia Nacional de Doação de Órgãos, comemorado hoje, aumentam as esperanças daqueles que esperam há meses ou há anos na fila por um transplante. Apesar de não ser o ideal, a quantidade de órgãos doados, como córneas, aumentou de forma considerável nos muitos anos. O mesmo não se pode dizer da doação de ossos, algo que começou a ser difundido com mais profundidade há pouco tempo. Os médicos, principalmente ortopedistas, demonstram bastante preocupação com a escassez desse tipo de doação.
Uma das vítimas da falta de doações de ossos é a dona de casa Entenesca Ribeiro, 72 anos, residente na Vila Siam (zona leste), em Londrina. Há seis anos, ela passou pela primeira cirurgia para colocação de uma prótese no joelho direito. Três anos depois, ela voltou ao médico e ficou constatada a necessidade de troca da prótese, já que a primeira havia se soltado. No início deste ano, o ortopedista Plinio Montemor identificou que a segunda prótese também precisava ser substituida.
Segundo Entenesca, em abril, ela permaneceu internada durante 15 dias no Hospital Universitário (HU), esperando pela cirurgia. O procedimento acabou não sendo realizado, pois faltava um material chamado tecido músculo-esquelético, também conhecido como pó-de-osso extraído de ossos doados e utilizado para sedimentar a prótese no joelho. A mulher voltou para casa do mesmo jeito que chegou ao hospital, com a prótese solta e com muitas dores.
A dona de casa conta que, nos últimos meses, vem encontrando dificuldades para executar tarefas simples em casa. Como a renda do marido aposentado é pequena, não é possível contratar uma empregada. Mas, conforme Entenesca, o problema maior ocorre durante a noite. ''Só consigo dormir de lado e colocando uma almofada entre os joelhos. Mesmo assim, incomoda muito'', reclamou.
O ortopedista Plinio Montemor explica que, como Entenesca, ele tem outros três pacientes esperando pela troca da prótese, situação que considera bastante preocupante. De acordo com o médico,uma mesma prótese pode ser utilizada por até 20 anos. O problema é que existem alguns fatores, entre eles o excesso de peso, que podem reduzir a vida útil do equipamento e exigir uma nova cirurgia.
Em relação ao pó-de-osso, Montemor ressaltou que o material é de extrema importância para essas novas cirurgias. Ele acrescentou que, a partir do momento que a prótese se solta, começa a desgastar o osso, o que resulta em lacunas. Para que a nova prótese se adeque de forma correta no corpo do paciente é necessária a utilização do material, também chamado enxerto, para preencher essa lacuna. ''Não existe um similar para substituí-lo'', frisou.


