A FOLHA noticiou ontem a condição insalubre em que vivem muitas famílias do assentamento Morro do Carrapato, na zona Leste de Londrina. Elas vivem do garimpo de uma área transformada em lixão, de onde reaproveitam praticamente tudo: de recicláveis a roupas e móveis. Diante dessa realidade, um levantamento vem sendo realizado desde o ano passado, em todos os bairros onde há vulnerabilidade social, a fim de se obter informações concretas sobre a questão de moradia.

"Queremos saber por que muitas famílias ainda permanecem morando em barracos, como acontece no Morro do Carrapato. Verificamos que existe um ciclo de entrada e saída desses moradores", observa a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da zona leste, a assistente social Rosiane Modesto.

De acordo com ela, cerca de 25 famílias vivem no Morro, mas algumas já foram contempladas com uma moradia no Residencial Vista Bela, na zona norte, por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida. "Percebemos que essas famílias que retornaram tiveram dificuldade de adaptação no Vista Bela. Elas acham que é melhor permanecer aqui, pela proximidade com a região central, creches, etc", afirma.

Nessa situação, geralmente os filhos acabam ficando na casa ou apartamento do Vista Bela. Porém, esse número é pequeno em relação àquelas que ainda aguardam uma resposta da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina.

"Existem questões a serem consideradas que dificultam esse processo, por exemplo, a falta de documentação. Muitas dessas famílias não têm documentos pessoais, apesar de ajudarmos gratuitamente nesse processo; outras estão com situação irregular junto à Caixa Econômica Federal", cita Rosiane, acrescentando que o levantamento também irá traçar um perfil dessas pessoas. A previsão é que essa pesquisa seja concluída ainda este ano.

Benefícios
A coordenadora do Cras não enumerou quantas famílias são beneficiadas com os programas federal Bolsa Família e o Programa Municipal de Transferência de Renda (PMTR). Para receber o Bolsa Família, o cadastro deve ser atualizado a cada dois anos e o valor é a partir de R$ 32 para renda per capita de até R$ 140.
Já a concessão do PMTR é um complemento para o Bolsa Família, em casos de famílias chefiadas por idosos ou mulheres, vítimas de violência, entre outros. A triagem para o PMTR é realizada pelos Cras e pode chegar ao valor máximo de R$ 100 por família.
Além disso, há o Benefício de Superação da Extrema Pobreza (BSP) lançado em 2012 no âmbito da Ação Brasil Carinhoso. Têm direito ao benefício todas as famílias que já recebem o Bolsa Família, mas continuam com renda per capita inferior ou igual a R$ 70 mensais. "Um assistente social realiza constantemente visitas a essas famílias para cadastro e esclarecimentos, mas elas podem nos procurar pessoalmente", orienta.

Serviço: Para mais informações ou cadastro as pessoas podem procurar o Cras mais próximo de casa. O da zona leste fica na Avenida Laranjeiras, 2.133 e o horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 8 às 17 horas. O telefone é (43) 3378-0596.

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