Cambé - A reportagem também acompanhou o trabalho do agente de Endemias de Cambé, Wilson Luiz Giampietro. Durante uma inspeção no Jardim Silvino ele encontrou um pequeno balde em um ferro-velho, utilizado como bebedouro dos cachorros e que não é lavado frequentemente. Mas esse é apenas um dos problemas, já que o proprietário do estabelecimento coleciona mais dez notificações. Várias peças que são comercializadas como sucata ficam a céu aberto, sujeitas a formar criadouros do Aedes aegypti.
"Chamamos este imóvel de ponto estratégico (PE), onde retornamos a cada 12 dias para realizar a remoção de material. Este local deveria ter cobertura", aconselhou Giampietro. Um dos moradores do imóvel, Guilherme Simão dos Santos garantiu que a sucata é recolhida semanalmente e que há a intenção de colocar uma cobertura em breve.
Uma das moradoras incomodada com esse lixo é Shirley Terezinha da Silva, que relatou que várias pessoas das redondezas contraíram dengue. "O pessoal não está cuidando direito disso", reclamou.
Outra moradora do Silvino, a dona de casa Cristina Cavalcanti, disse temer pela saúde da filha Victória, de um ano. "Eu fico preocupada, ainda mais com essas outras doenças como o zika vírus e a chikungunya. Eu tenho que passar o repelente o tempo todo."
Cristina mora próximo do fundo de vale do Ribeirão Cambezinho e contou que várias pessoas jogam lixo e entulho por lá. "Não adianta fazermos o nosso papel e as demais pessoas não fazerem", reclamou. Enquanto relatava o problema era possível ver que havia pneus, garrafas, copos e sacolas plásticas espalhados pelo gramado do fundo de vale. Nem mesmo uma placa da prefeitura alertando sobre a proibição do lançamento de lixo no local inibiu os transgressores.
O chefe da Vigilância Sanitária e Ambiental de Cambé, Maurício Gomes da Rocha Neto, diz que a atenção tem sido constante no bairro desde o início do aumento dos casos de dengue. "Centralizamos toda a nossa equipe de agentes de Endemias no local, realizamos ações em conjunto com os agentes comunitários e tivemos até a ajuda do Exército em duas delas", contou. O índice de infestação, que no início do ano era de 3%, agora já caiu para 0,2%, segundo Rocha Neto. "Mas isso não quer dizer que podemos relaxar. A epidemia é uma realidade próxima e os cuidados têm que continuar", cobrou.
Segundo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde no início da semana, são 1,6 mil casos em Cambé.
Para dar conta das denúncias e também por indicação da Secretaria de Saúde do Estado, a Saúde Pública de Cambé criou a Ouvidoria, em que as pessoas podem fazer sugestões, reclamações e denúncias relacionadas a área. O telefone do serviço é 3174-0344. (Vítor Ogawa e Rafael Souza)

mockup