A energia que se perde pelo caminho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Wilhan Santin<br>Equipe da Folha 
Londrina - Quando o sol começa a mostrar seus primeiros raios da manhã, o corre-corre já é grande nos terminais do transporte urbano de Londrina. Em torno de 80 mil pessoas, de acordo com dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), dependem dos ônibus que circulam pela cidade para chegar ao trabalho. A grande maioria é de trabalhadores, gente que depende dos coletivos para ir até o local de serviço e cumprir a carga horária de cada dia.
Porém, parte da energia do trabalhador, que hoje comemora o seu dia, fica no ônibus. Não faltam queixas de usuários que dizem chegar cansados ao serviço depois de enfrentar uma viagem em pé em coletivos pra lá de lotados.
A reportagem da FOLHA embarcou em ônibus que circulam pela cidade nos horários de pico e comprovou: dá para comparar com uma lata de sardinha. Uma placa dentro do veículo revela que em torno de uma centena de pessoas estão espremidas ali. Passageiros sentados: 34; passageiros em pé: 61.
Há até dificuldades para fechar as portas por conta da superlotação. No terminal central, é necessário que fiscais monitorem a quantidade de pessoas que acabam tendo que se acomodar nas escadas dos coletivos. É preciso apertar bastante para que as portas tenham condições de, pelo menos, se fecharem.
''A condução para o trabalho de forma inadequada cria um desperdício de energia física e psíquica. O correto é que o trabalhador siga com conforto até o seu local de serviço. Já atendi a pessoas que reclamam de dor no ombro por conta de ter que ficar em pé no ônibus'', ressalta o médico do trabalho Ricardo Sahão, que atesta que o trabalhador deixa parte de sua energia produtiva pelo caminho quando ''viaja'' em condições adversas.
''Com isso, as pessoas chegam ao serviço fatigadas mentalmente, menos dispostas, e qualquer acontecimento banal pode ser o estopim para uma 'explosão''', complementa o médico.


