Trânsito engarrafado, semáforo vermelho e uma sirene pedindo passagem. Muitos motoristas suam frio quando enfrentam uma situação como essa e, muitas vezes, nada podem fazer para abrir caminho, mesmo sabendo que alguém aguarda com angústia a chegada do socorro.
Enquanto isso, pelas ruas de Londrina, ambulâncias, viaturas policiais e caminhões do Corpo de Bombeiros correm contra o relógio, todos os dias, para atender quem os chama, na maioria das vezes enfrentando diversos obstáculos para chegar a tempo de salvar vidas ou atender ocorrências.
Nesse contexto, será que o motorista londrinense colabora com os veículos de emergência? Para o soldado Antônio Fernando Soares, que trabalha como motorista do Siate, a grande maioria colabora, mas existem exceções.''Algumas pessoas dirigem com os vidros do carro fechados e o som ligado e dessa forma não percebem a nossa presença'', destaca.
Ele também relata que, para o condutor de um veículo de emergência, o trânsito vai muito além de veículos automotores. ''Temos que prestar atenção em tudo: pedestres, ciclistas, condições da pista, quebra-molas, carros estacionados em locais irregulares. Tudo isso pode nos atrapalhar. Não adianta termos a melhor viatura se ela não chegar ao local do acidente'', explicou.
O soldado Antônio Tonzar, do Corpo de Bombeiros, anda pelas ruas da cidade guiando uma carreta capaz de transportar 35 mil litros de água. Um veículo gigante para os padrões do trânsito londrinense, mas fundamental em um grande incêndio. Em 20 anos de profissão ele nunca se envolveu em nenhum acidente.
''A população coopera. Na última grande ocorrência que atendemos, o incêndio que atingiu a loja Tok Final, tivemos uma demonstração clara disso. Muitos carros subiram até nos canteiros para abrir espaço'' relembrou Tonzar, aproveitando a oportunidade para dar um conselho aos motoristas. ''Muitos ainda se apavoram com as nossas sirenes. Às vezes temos até que desligá-las para acalmar o motorista, por isso é importante dizer a todos que mantenham a calma. O bombeiro não vai forçar a passagem, o nosso objetivo é chegar bem à ocorrência''.
Para quem fica indeciso quanto ao que fazer quando ouve as sirenes, o sargento Cláudio Bispo dos Reis, também motorista de um caminhão do Corpo de Bombeiros, dá a dica: ''Se houver total segurança, as pessoas podem avançar um semáforo vermelho ou subir num canteiro para nos ajudar. Se isso não for possível, o motorista deve permanecer onde está. Estamos indo atender um acidente e não queremos causar outro'', destacou o sargento.
Para o motorista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Walter Coutinho, a maior dificuldade é o descrédito. ''Nós não estamos brincando quando ligamos a sirene. Sempre que estamos emitindo o sinal sonoro é porque estamos indo prestar socorro. O problema é que algumas pessoas mentem para receber nosso atendimento e isso acaba gerando descrédito por parte de alguns motoristas, que pensam que o Samu não atende casos graves'', queixou-se.
Para ele, o pior horário para dirigir em Londrina é o próximo às 18 horas e a pior via é a Leste-Oeste. No entanto, tudo isso fica de lado quando ele fala do trabalho: ''É gratificante salvar uma vida''.
As ocorrências atendidas pelo Pelotão de Choque da Polícia Militar, muitas vezes envolvem bandidos perigosos ou situações de grande tumulto. Por isso é comum a cena das viaturas da Ronda Extensiva de Natureza Especial (RONE), andando em alta velocidade e com as sirenes ligadas.
O segundo tenente Franck Cione Coelho dos Santos, comandante do Pelotão de Choque, engrossa o coro dos que consideram os motoristas londrinenses bons aliados na luta pelo rápido deslocamento dos veículos de emergência. Sua única queixa refere-se aqueles que mantém o som do carro em alto volume ou atendem celular ao volante, sem perceber a aproximação da viatura.
O tenente disse evitar as ruas centrais para deslocar-se até uma ocorrência, principalmente a Sergipe e Benjamin Constant. ''Procuramos agilidade pelas avenidas mais rápidas, como a Brasília e Dez de Dezembro''.

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