O volume de água que caiu no último domingo em Londrina parece não ter sido suficiente para que, enfim, o sol aparecesse com força total. O dia de ontem começou com raios e trovoadas, que pareciam antecipar um temporal. Ventos fortes não vieram, mas a precipitação não deu trégua durante todo o dia. O Sistema Metereológico do Paraná (Simepar) informou que até às 13 horas de ontem 46 milímetros de água haviam caído na cidade. A soma dos primeiros dias de novembro não passou de 36 milímetros.
  Apesar do mau tempo, não faltaram corajosos por toda a cidade. No Centro, muitas pessoas trabalhavam mesmo com a chuva intensa. Uma delas era a ajudante de um carrinho de cachorro-quente, Jéssica Aline Lima, que não deixou os afazeres de lado. ‘‘É difícil trabalhar nesse tempo, com essa água toda caindo. Meus pés ficam molhados e a roupa úmida o dia inteiro. Mas não tem outro jeito’’, disse. Na base do improviso, Jéssica montou uma espécie de proteção com lona em cima do carrinho. ‘‘Ainda bem que as pessoas comem mesmo com esse tempo. Aqui debaixo elas podem ficar mais tranqüilas, sem se molhar’’, comentou.
  Já o ambulante Leonardo Nogueira, vindo da Paraíba, teve de driblar a chuva e se esconder nas marquises das lojas. Ele, que chega a ficar quatro meses fora de casa para vender redes, não teve muita sorte em Londrina. ‘‘Caminho uns 15 quilômetros diariamente. Em dia bom, de sol, vendo até 25 redes. Num dia como hoje, cai para umas cinco’’, lamentou. Segundo ele, a chuva é um dos piores problemas para quem trabalha com mercadorias ao ar livre. ‘‘Eu não me importo de tomar chuva, mas o duro é que estraga todo o material, nesse caso, as redes.’’
  Quem também sofre com o mau tempo são os orientadores de trânsito da Zona Azul. O trabalho, que consiste em controlar o tempo que carros ficam estacionados nas ruas, é outro que tem a chuva como inimiga. ‘‘Em alguns pontos da cidade tem onde a gente se esconder quando a chuva está muito forte, mas aqui, que não tem nada ao redor, é complicado. Preciso carregar o guarda-chuva a todo momento’’, disse Herberth da Cunha, que cumpre jornada de cinco horas nas ruas. Ele diz que além da água que atrapalha preencher os cartões, tem de enfrentar motoristas apressados. ‘‘Com esse tempo, o pessoal não tem paciência de esperar e acaba deixando os carros de forma irregular. Se voltam e são multados, ainda ficam bravos comigo’’, argumentou.
  Mas o que é ruim para uns, é bom para outros. Há 22 anos consertando guarda-chuvas, Ademar Gabriotti festeja dias em que a água não pára de cair. ‘‘Todos os dias, antes de sair de casa, rezo para chover’’, brincou. Sentado em frente a um banco, no Calçadão, Gabriotti estava rodeado de pessoas. ‘‘Quando o tempo está bom, ando pelos bairros e arrumo cerca de dez guarda-chuvas. Com chuva, passa de 40’’, comemorou. E com razão: durante os poucos minutos em que a reportagem conversava com ele, cinco pessoas esperavam pelo conserto.
  Pela previsão do Simepar Gabriotti ainda vai ter muito trabalho pela frente. A chuva deve continuar nos próximos dias e dar uma trégua na segunda-feira. O motivo foi uma tempestade vinda do Paraguai, que passou pelo sul do Estado e veio em direção a Londrina. No entanto, não há previsão de queda brusca de temperatura.

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