Paulo WolfgangNa fila de esperaO renal crônico José Antonio Scarduelle perdeu 22 quilos em dois anos e não consegue andarO ex-vendedor José Antonio Scarduelle, 40 anos, levava uma vida normal até que descobriu há pouco mais de dois anos, que estava com insuficiência renal. A mudança na vida dele, que é casado com Lucinéia Pereira Rosa, foi rápida e radical. ‘‘Em pouco tempo os meus dois rins estavam paralisados. Nestes dois anos de doença, meu peso baixou de 87 para 65 quilos’’, conta Scarduelle, que teve seu quadro de saúde agravado por sofrer também de diabetes.
‘‘Há cerca de um ano, fui obrigado a me aposentar por conta própria, porque não conseguia mais trabalhar. Estou tão fraco que necessito da ajuda de minha esposa para andar’’, conta o ex-vendedor. Ele ainda não conseguiu regularizar a aposentadoria junto à Previdência Social (INSS). ‘‘Estou correndo atrás da papelada, mas está difícil. Mas este não é o maior problema. O duro é não encontrar doador de um rim, que devolveria normalidade à minha vida.’
José Scarduelle submete-se às sessões de hemodiálise - filtragem do sangue através de aparelhos - três vezes por semana, no Instituto do Rim de Londrina. Cada sessão demora cerca de quatro horas e mesmo assim precisa tomar remédios diariamente. A doença tem provocado ainda muitas coceiras e dores nas mãos, nas pernas e nas costas dele.
‘‘Quando a coceira vem forte, eu quase fico louco. Me dá vontade de cortar a mão, para acabar com ela. Esta doença é terrível. Estou perdendo a coordenação motora’’, ressalta Scarduelle. Na última semana, desesperado, pensou em procurar um possível doador através da publicação de anúncio pago na imprensa local. Mas isto agora é impossível, porque todos os transplantes são intermediados pela Central Regional de Transplantes.
Lucinéia Rosa, que era comerciante e foi obrigada a deixar o trabalho para cuidar do marido, conta que as condições de saúde dele estão piorando rapidamente. ‘‘Ele enfraquece a cada semana. Está muito difícil ficar na fila de espera por um doador. Londrina tem centenas de renais nesta fila, e o número de transplantes realizados por mês é reduzido. Assim, as perspectivas são muito ruins’’, diz. Ela lembra que entre os familiares - que se dispuseram a doar o órgão necessário - não há doador compatível.

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