Pedro (nome fictício) tinha tudo para levar uma vida normal. Andava com amigos, jogava futebol, não saía da frente da tevê e ia à escola. Nem mesmo a separação dos pais, há mais ou menos seis anos, foi problemática: eles continuaram amigos e o garoto, morando com a mãe, sempre teve próximo a figura paterna.
Mas o rapaz deixou a escola quando ainda estava na 4ª série e não quis mais saber de estudar. E o pior: aos 13 anos, começou a andar com garotos que usavam drogas. Ao contrário da grande maioria dos colegas, Pedro não se interessou pelo consumo. Mas viu na droga uma possibilidade real de ganhar dinheiro fácil.
‘‘A minha viagem era outra. Vi o movimento da droga, vi que dava dinheiro, e comecei a vender. Fiquei fascinado. Então pegava a pedra, amassava e vendia. Pagava por um tanto e fazia outro tanto’’, diz. ‘‘E gastava tudo que ganhava com roupas, mulherada. Tudo que vem fácil vai fácil.’’
Pedro comercializava a pasta base. Ele pegava a droga do irmão de um amigo, que tinha uma ‘‘boca de fumo’’ dentro de casa. Começou com cinco gramas - pagando cerca de R$ 10,00 a grama -, mas no final chegou a pegar 300 gramas de uma só vez, com lucro de até 100%. Ficou conhecido entre os consumidores. ‘‘Vender é fácil’’, sentencia.
O adolescente conta que, além do dinheiro, era comum o viciado oferecer objetos para pegar a droga. Eram desde bonés, camisas, relógios até tênis da moda. Muitos desses objetos eram resultados de pequenos furtos. ‘‘Tinha gente que, no desespero, trocava tudo pela droga. Trocava o que tivesse’’, diz. Ele acrescenta: ‘‘Também tem muita gente que compra que é ladrão, assaltante de banco, e usava o dinheiro do assalto. Era comum. Mas na verdade tinha de tudo: pobre, rico, ladrão.’’
Depois de um ano traficando, Pedro ‘‘caiu’’, como se diz na gíria do meio para quem é preso. Foi apreendido no final de dezembro e passou o Natal e o Ano Novo ‘‘internado’’ no Ciaddi. ‘‘Eles (os policiais) já me conheciam. Não pegavam porque se você não está com a droga não é flagrante. Já tinha sido revistado antes mas não estava com a droga’’, conta.
A opção pelo tráfico, segundo ele, não agradou a família. Principalmente quando traficantes e viciados iam procurá-lo em casa. ‘‘Minha mãe ficava desesperada. Mentia para ela, dizia que eram amigos. Mas ela não acreditava’’, diz.
Agora que foi apreendido, Pedro planeja sair do Ciaadi e abandonar o tráfico. Garante que está arrependido e promete que vai voltar a estudar e arrumar um emprego. ‘‘Não quero mais voltar para cá. A droga dá dinheiro mas não compensa, é ilusão. Não é legal ficar sempre corrido da polícia.’’

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