Curitiba - Mesmo nas expectativas mais otimistas, a gripe A (H1N1) no Estado deve trazer muitos problemas para os paranaenses. Com base no comportamento do vírus em outros países, inclusive nos vizinhos Argentina e Chile, o número de casos só tende a aumentar. Para alguns especialistas, morte em decorrência da doença é uma questão estatística, ou seja, em algum momento deve acontecer. Provavelmente o primeiro óbito virá com algum paciente imunodeprimido.
Na primeira semana em que o Paraná teve casos confirmados da influenza A, os números cresceram exponencialmente. No terceiro dia após a primeira confirmação, veio a notícia do primeiro caso autóctone - contágio interno - em Curitiba. A descoberta significa que pode haver transmissão sustentada do vírus.
De acordo com o médico Alceu Fontana Pacheco, presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia e diretor de saúde coletiva da Associação Médica do Paraná, ''a doença vai tomar conta. Ainda mais com o agravante de estarmos em pleno inverno, não há mais como interromper a transmissão''. Para ele, todas as medidas de agora em diante devem ser educativas.
Ele acredita que, apesar de ser importante no início da epidemia, chegará um momento em que nem mesmo será possível fazer o exame laboratorial em todos os pacientes suspeitos. Nesse estágio, o medicamento, o mesmo usado para gripe comum, será administrado a partir da suspeita de contaminação.
Outra previsão, que não deve ser encarada como alarmante, é que não haverá leitos com isolamento disponíveis para uma demanda maior de pacientes. Segundo Pacheco, o internamento hospitalar só será recomendado para os casos mais graves, que devem ser minoria. Dos 15 casos confirmados no Estado até a última sexta-feira pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), nenhum paciente precisou ficar em hospital.
O médico especialista em Medicina do Viajante Jaime Rocha acredita que as medidas tomadas até agora pelas autoridades de saúde têm sido corretas e, por vezes, até excessivas. ''Como não se sabe ainda o comportamento do vírus, por se tratar de um novo, acaba-se pecando por excesso. A taxa de mortalidade hoje é igual a da influenza sazonal, mas não se sabe se vai continuar assim. Essa é a maior dificuldade de tomar uma decisão, por exemplo, com relação a recomendar viagens para certos países''.
Estatística
Para a especialista em influenza da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei, é preciso se preocupar, em uma situação de pandemia, com a mortalidade. Ela diz não ser a situação do Brasil ainda, mas que deve ser em pouco tempo. Quem precisa se preocupar são as do grupo de risco - com doenças crônicas, idosos, crianças pequenas. Na opinião de Rocha, mortes vão ocorrer. ''Infelizmente, é uma questão estatística''.
Mas, a boa notícia é que, mesmo o cenário mais otimista previsto no começo da manifestação da gripe A, tem se mostrado uma possibilidade remota. Nas primeiras manifestações da Organização Mundial de Saúde, a metodologia para formular possíveis cenários pandêmicos previa, em uma perspectiva otimista, milhares de mortes. Os números chegaram a ser divulgados no Paraná para alertar os municípios a preparar planos regionais. Hoje, é consenso que os números eram extremamente drásticos e o comportamento do vírus se mostrou muito menos letal do que inicialmente se pensava. Em quase 60 mil casos confirmados no mundo, menos de 270 pessoas morreram de influenza A (H1N1).

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