Curitiba A 11 Parada da Diversidade, que aconteceu ontem em Curitiba, reuniu cerca de 85 mil pessoas na Capital, segundo estimativas dos organizadores. Participaram do movimento gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. De acordo com o presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, 53% das pessoas que estiveram ontem no evento são heterossexuais e simpatizantes do movimento. A expectativa era que a Parada conseguisse a adesão de mais pessoas até o encerramento previsto para as 21 horas.
A concentração começou às 15 horas na Praça de Dezembro, no Centro Cívico de Curitiba e os participantes percorreram a Avenida Cândido de Abreu até chegar ao Palácio Iguaçu. O lema deste ano foi ''Respeito Sim, Discriminação Não!''. O movimento teve performances embaladas ao som de música eletrônica e a presença de cerca de dez caminhões de som. Os participantes estenderam um tapete colorido na Avenida Cândido de Abreu e enfeitaram os caminhões de som com muitas bexigas de vários tons.
Reis lembrou que a primeira Parada da Diversidade aconteceu em Curitiba em 31 de janeiro de 1995. Segundo ele, hoje não existe lei no País que proíba a discriminação mas apenas projetos de lei que tramitam há cerca de dez anos no Congresso Nacional. ''Com a Parada, queremos mostrar que somos muitos e estamos em todos os lugares'', disse. De acordo com ele, o Ministério da Cultura destinou R$ 1,2 milhão para a realização de Paradas da Diversidade no Brasil e R$ 30 mil para o Paraná.
Para Reis, a Parada deste ano teve três objetivos principais. ''O primeiro é comprovar a existência da diversidade humana em nossa cidade, seja ela representada pela orientação sexual, raça ou credo do participante. Segundo é mostrar às pessoas, a importância de viver sua sexualidade de forma livre e sem repressão, e terceiro, demonstrar a quantidade que somos. Tanto GLBT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros) quanto aliados'', disse.
O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), que participou ontem da Parada da Diversidade, disse que há um projeto de lei da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy no Congresso pronto para ser votado em plenário. O projeto trata sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo. Outro projeto da deputada federal Iara Bernardi (PT) propõe a criminalização da homofobia.
Rosinha afirmou que movimentos como a Parada da Diversidade são ''importantes para mostrar para a sociedade um lado que ninguém quer ver. É importante expor as diferenças até para, no mínimo, serem respeitadas''. Ele contou que participou de todas as paradas. Também participaram ontem da Parada a deputada federal Dra. Clair (PT-PR), a vereadora de Curitiba, professora Josete e o ex-secretário de Saúde de Curitiba, Michelle Caputto Neto. A vereadora professora Josete, disse que a Parada é um espaço de reivindicações à igualdade e à dignidade.
Jorge Alves Nogueira, 25 anos, que participou ontem da Parada, disse que este tipo de evento é importante para conquistar os gays, lésbicas e transgêneros conquistarem o seu espaço. ''Somos cidadãos. É um orgulho estar aqui hoje'', disse.
Fábio Gava e Leandro Rosseppe, que foram juntos ontem à Parada, disseram que o movimento também tem como objetivo mostrar que os gays, lésbicas e transgêneros vivem bem e que a parada não é um evento de promiscuidade. ''A Parada é um movimento para fazer o povo pensar diferente e ver a gente como pessoas normais'', disseram.
A dona de casa Vanessa Dsendzuik estava passeando pela Avenida Cândido de Abreu com a filha e se deparou com a Parada. ''Eu nunca tinha visto uma Parada da Diversidade. É diferente'', afirmou.
A Semana da Diversidade de Curitiba teve além da Parada da Diversidade, o Prêmio Aliadas, o Seminário Paranaense de Lésbicas e o 2º Miss Curitiba Trans. Um grande palco foi montado em frente ao Palácio Iguaçu para recepcionar a Parada da Diversidade, no qual artistas GLBT e aliados se apresentaram.

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