Londrina – Nos últimos minutos do horário de pico da tarde de terça-feira, a professora de Educação Física, Marli Cristina Brussolo, de 46 anos, parou a cadeira de rodas no andar superior do Terminal Central de Londrina para embarcar no ônibus que faz a linha 206 – Europa. Com o coletivo apinhado de passageiros, o motorista ajeitou a cadeira no elevador e acionou o controle. Travada, a plataforma não chegou ao topo. A partir daí, uma sucessão de erros marcou os constrangedores 10 minutos em que a professora ficou presa.



O sobe-e-desce do elevador, acompanhado de chutes nas ferragens, durou cerca de cinco minutos. Sem sucesso, motorista e cobrador pegaram a marreta, usada nos pneus, para tentar destravar a máquina. Os golpes ao lado da cadeira constrangeram até mesmo os passageiros mais impacientes, que no início se irritaram com o atraso. Para completar, o ônibus chegou a andar alguns metros com a porta aberta e Marli no elevador. Entre solavancos, chutes e marretadas, a professora permaneceu lá, impassível. Segundo ela, apenas mais um dia normal.
Moradora no Jardim Ouro Verde (zona norte), ela relata que o problema com o elevador é constante nas linhas Europa e 502-Ouro Verde. "A qualidade é sempre ruim. O problema persiste e parece que não há manutenção", avalia. Outros usuários ouvidos pela reportagem disseram que mais veículos apresentam o mesmo problema. "Levo e busco meu filho da escola todos os dias. É sofrido, então precisamos de melhores condições", cobra Neide Fernandes, de 50 anos, mãe de Fábio, deficiente físico e mental.
Os desafios de Marli começaram há três anos e meio. Durante uma cirurgia de hérnia de disco, ela contraiu infecção hospitalar, que causou a paralisia das pernas. A professora se arrisca pela cidade sem poder contar com a tão sonhada acessibilidade. Ela atravessa Londrina para fazer sessões de fisioterapia na zona sul enfrentando a falta de paciência dos passageiros, funcionários e, muitas vezes, os perigos causados pelo excesso de velocidade. "Acho que ainda vai levar um tempo para que os cadeirantes tenham o respeito que merecem."
A aventura de encarar o ônibus também não é tarefa fácil para o paratleta da equipe de Basquete da Unifil, Fernando Bernardo da Silva, de 29 anos. "É complicado porque atrasa a saída, o povo já começa a achar ruim. Se em condições normais o embarque já é difícil, imagina com esses defeitos."
A falta de preparo de parte dos motoristas e cobradores para lidar com os cadeirantes também foi criticada. "Tem motorista que fica impaciente e pede para o acompanhante sair do elevador, como se os culpados fôssemos nós. Diria que metade deles (motoristas) é um amor, mas a outra é sem educação", criticou Isabel Rosa Nascimento, de 57, moradora no Jardim Barcelona.

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