Especial para a Folha
Vida de camelô não é fácil. Os ambulantes regularizados têm que enfrentar as intempéries do tempo, escondendo-se como podem da chuva forte, do sol ardido ou do frio. Para os ambulantes clandestinos, os problemas giram em torno dos fiscais da Prefeitura de Curitiba. Quando conseguem vê-los a tempo, têm que correr, caso contrário, têm as mercadorias apreendidas. Quase todos, entretanto, possuem dois dados comuns em suas histórias: entraram nesta vida empurrados pelo desemprego e faturam hoje o suficiente apenas para sobreviver.
Laércio Gonçalves Dias, 35 anos, dois filhos, vende frutas no centro de Curitiba há dois anos, embora esteja nesta vida há oito. Trabalhou como operador numa empresa de combustível, perdeu o emprego e não conseguiu mais colocação. Abraão Ferreira, 40 anos, quatro filhos, ‘‘está na rua’’ desde 1978, quando saiu de Rondon e veio para a capital. Ele tem alvará, mas já trabalhou ‘‘correndo de fiscal’’ e em barraca pequena. Ao contrário da maioria, que prefere não citar números e diz apenas que ‘‘dá para sobreviver’’, Abraão calcula vender R$ 500,00 por mês. Neide Rodrigues Costa de Moraes, 27 anos, um filho, acha que está difícil para todo mundo. Ela veio de Santa Terezinha de Itaipu e está há 12 anos em Curitiba, onde chegou a trabalhar em supermercado antes de ser ambulante. Já na esquina das duas marechais, Orlandinho chama atenção para vender um processador de alimentos. De chapéu de mestre-cuca ele faz questão de dizer que é um camelô e não um ambulante. ‘‘Camelô vende o que não tem nas lojas’’, diferencia.
Correndo dos fiscais - Maria Joaquina, 64 anos, há 30 vendendo pipoca, alho, mimosa e outros produtos, aponta para a cesta e diz que ‘‘daqui tem que sair R$ 150,00 para pagar o aluguel’’. Sozinha no mundo, não tem filhos ou parentes. Ela também não tem alvará, o que já lhe rendeu muitos entraves violentos com os fiscais. ‘‘Eles vinham em cima dando pontap钒.
Kraw PenasSofrimentoMaria Joaquina comercializa alho na rua: ‘‘já levei muito pontap钒Escondido dos fiscais, Adail Ferreira vende capa e carregador para celular. Azulegista em Cascavel há cinco anos perdeu o emprego, foi vender muamba em Foz do Iguaçu e veio para Curitiba, onde paga R$ 8,00 na diária de hotel. Outra vendedora clandestina que se identificou apenas como Maria, conta que era camareira em Foz e está desempregada há sete anos. Hoje ela vende CD pirata para sustentar os três filhos, mas diz que vive correndo dos fiscais. ‘‘Nós estamos trabalhando e não roubando’’, diz, criticando a forma violenta com que os fiscais e a polícia costumam agir.Kraw PenasMedoEscondido dos fiscais, Adail Ferreira vende capa e carregador para celularMaigue Gueths

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