A falta de dinheiro deixou de ser a única dificuldade para a maioria dos brasileiros na hora de pagar as contas mensais. A diversidade de postos de recebimento, que poderia ser um facilitador para o usuário, acaba se transformando em empecilho devido às restrições impostas pelo prazo de vencimento. Bancos, casas lotéricas, farmácias, mercados e agências dos Correios são opções para quitar as dívidas, mas cada um tem limitações específicas para o recebimento das faturas.
A faxineira Shirley Vieira Dias, 33 anos, foi vítima da burocracia na hora de pagar as contas do mês. Com uma fatura de água vencida, ela procurou uma casa lotérica justamente ''para evitar fila.'' ''Só que depois de esperar um pouco para ser atendida, me disseram que não recebiam contas com aquele atraso'', queixou-se. O lamento de Shirley transformou-se em indignação quando procurou outra lotérica na Área Central com a mesma conta em mãos. ''Consegui pagar na hora, sem problema nenhum'', revela.
''É estranho porque as duas são lotéricas. Não sei porque só uma recebe. Na hora não falei nada, mas fiquei com tanta raiva'', salientou. O resultado da revolta da faxineira foi um cuidado maior na hora de procurar um local para pagamento de contas e ''nunca mais ter voltado na lotérica onde não consegui pagar.'' O exemplo da faxineira é resultado das limitações, muitas vezes impostas pelos próprios prestadores de serviço público.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) recebe as contas de luz através de bancos, lotéricas e postos autorizados, como farmácias e supermercados. O limite, no entanto, é de 19 dias após o vencimento. Após a data limite, o pagamento é restrito aos postos autorizados.
De acordo com o gerente de área da Copel, Cláudio Aires, a medida é tomada pela necessidade de baixa automática nas contas pagas. ''É para evitar a suspensão indevida de fornecimento aos clientes e possibilitar a religação imediata'', explicou Aires. Nos bancos e lotéricas, a arrecadação é feita somente no dia seguinte ao pagamento.
Ainda nas agências bancárias, o pagamento pode ser feito nos caixas eletrônicos, com faturas com código de barras. Outra opção é a quitação pela internet ou por débito automático. A empresa tem convênio com 55 estabelecimentos na cidade e 12 nos distritos rurais.
As contas de água da Sanepar são recebidas na rede bancária e em 50 postos de atendimento conveniados, entre lotéricas, mercados, lojas de departamentos, financeiras e farmácias. Os bancos fazem o recebimento somente até o vencimento. ''Tem banco que só quer receber de clientes. Por isso, temos incentivado a adesão ao débito automático'', revelou o gerente regional da Sanepar, Oscar Fernandes. Hoje, o índice de adesão ao serviço varia de 7% a 7,5% dos usuários.
Após o vencimento, as contas de água podem ser quitadas nas casas lotéricas até 20 dias após a data limite e nos agentes credenciados em qualquer data. A justificativa é idêntica à da Copel: a demora da arrecadação dos bancos poderia causar suspensão indevida do fornecimento.
Para pagar a conta de telefone, a principal opção é a rede bancária. As prestadoras fazem convênios para oferecer alternativas aos clientes. A Sercomtel, por exemplo, mantém parceria com 37 estabelecimentos comerciais de Londrina, entre farmácias e supermercados, entre outros. O recebimento é feito em qualquer vencimento nas lotéricas e agências do Banco do Brasil, Caixa e Itaú. Nos Correios e demais bancos o prazo limite é de 15 dias após o vencimento da fatura.
As agências dos Correios em Londrina prestam dois tipos de serviço: atendimento comum e Banco Postal. Conveniado com o Bradesco, o Banco Postal presta o mesmo atendimento de uma agência. Funciona em somente três postos da cidade: nas agências das avenidas Rio de Janeiro (Central), Juscelino Kubitscheck e Bandeirantes. As 13 franquias da cidade fazem o recebimento de contas de telefone, em média, de 15 a 25 dias após o prazo limite. Nos bancos postais, o pagamento pode ser feito em qualquer data.
O auxiliar de enfermagem Nelson Braganholo da Silva, 41, conta que também já se enganou ao enfrentar uma fila de banco para pagar fatura de supermercado. ''Enfrentei uma fila grande. A gente sempre tem que errar uma vez para descobrir'', resignou-se.
Já a ex-bancária Ana Célia Borges, 48, procura quitar a maioria dos seus débitos pela internet para evitar complicações. ''Falta mais gente nos bancos para instruir as pessoas'', avaliou. Para quem não tem acesso à rede de computadores ou débito automático, a única saída é se informar antes de sair em busca de um banco, lotérica, agência dos Correios ou posto credenciado, para evitar o risco de entrar em fila errada.

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