A difícil tarefa de recomeçar
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Casamentos desfeitos, trabalhos em risco, famílias ameaçadas. As consequências do vício em álcool e outras drogas já são bem conhecidas, mas continuam fazendo suas vítimas. Em Londrina, uma das instituições que ajudam essas pessoas a se livrarem do vício e a reconstruírem suas vidas, o Ministério Evangélico Pró-Vida (Meprovi), está completando 25 anos.
Jorge Alves, 50 anos, técnico em eletrônica e informática, começou seu envolvimento com drogas aos 14 anos. ''Usava esporadicamente. Quando me casei, parei. Depois do divórcio voltei a usar. Acabei virando 'experimentador' de cocaína, tive três úlceras perfuradas e mesmo assim não larguei o vício. Acabei voltando para Londrina e conheci o Meprovi. Em uma semana tive um encontro com Deus e isso foi fundamental. Fiquei nove meses internado e isso mudou a minha vida. Ele me devolveu em dobro tudo que eu havia perdido: montei minha empresa, casei, ganhei um filho'', conta.
Alves hoje é pastor e viaja divulgando sua história. Ele diz que é muito difícil se livrar das drogas e manter-se abstêmio é um exercício diário, que ele vem conseguindo cumprir desde 2004.
Um funcionário público 40 anos e que pediu para não ser identificado também está livre do vício há oito anos. Ele conta que começou usando álcool, depois passou para maconha, depois cocaína e finalmente o crack. O primeiro casamento, que incluía uma filha, acabou não resistindo.
''No começo conseguia conciliar as coisas, fazia um uso esporádico, mas quando percebi que estava influenciando no meu cotidiano, resolvi me cuidar. Tentei duas internações, mas como o período era de apenas 30 dias, sempre voltava para a droga. O vício me rendeu um processo disciplinar no trabalho. Foi então que fiquei sabendo do Meprovi, aceitei a internação de nove meses e só então deu certo'', destaca.
Ele pondera que até tentou reatar o casamento, mas depois de tantas recaídas a ex-esposa não quis voltar. Há três anos ele se casou novamente, teve outro filho e como procurou tratamento conseguiu manter o emprego. ''Hoje não tenho nenhum contato com drogas, inclusive o álcool'', destaca.
O pedreiro Moacir Humberto Vieira, 59 anos, também é um ex-dependente que há 3,5 anos se recuperou, com o apoio do Meprovi. Segundo ele, o vício em álcool começou aos 16 anos. Ele tentou parar por diversas vezes, mas somente depois do período de internação conseguiu.
''Eu já tinha me separado, casado novamente. E foi a minha segunda esposa que me convenceu a vir para cá. Eu tinha uma filha pequena, outra do primeiro casamento, resolvi parar. Graças a Deus estou conseguindo, o inimigo está aí fora, mas hoje passo na frente de um bar e não vejo nada lá dentro'', garante.
Filha e irmãos
Na Vila Santa Terezinha, Zona Leste de Londrina, funciona o Meprovi Pequeninos. Daiane Cristina Ferreira dos Santos, moradora do bairro, encaminha diariamente sua filha Isabelly, de 10, e seus irmãos Bruno, 7 anos e Cristian, 12 anos, de quem ela tem a guarda, para as oficinas que a instituição oferece.
''Eles estudam de manhã e quando saem da escola já vêm direto para cá. Aqui almoçam, fazem diversas atividades, tomam um lanche e depois vão para casa. No momento estou desempregada, mas quando trabalhava, ficava tranquila porque eles tinham onde ficar e recebem boa educação.''
Daiane conta que a filha frequenta a instituição desde os seis anos e percebeu que a menina vem se desenvolvendo melhor. Os irmãos, que vieram morar com ela no início do ano, também estão apresentando mudança de comportamento. ''Eles estão conversando melhor, aprendem várias coisas, chegam em casa e já vão me ensinar. A Isabelly adora me contar dos personagens da Bíblia e as aulas de religião são as preferidas dela'', destaca.


