Curitiba - São muitas as histórias de crianças, jovens e adultos que abraçam uma causa, disponibilizando tempo e energia em um trabalho voluntário. Assim como são muitas as pessoas que, mesmo sensibilizadas com problemas ambientais ou sociais, não estão motivadas o suficiente para arregaçar as mangas. Para a norte-americana Sue Gardner, responsável pela elaboração de um novo modelo de gestão e engajamento da comunidade no Golden State National Parks Conservancy, questões educacionais e culturais podem explicar o baixo grau de interesse das pessoas na participação em projetos voluntários. Ela acredita que essa realidade seria diferente se as escolas incentivassem ou até obrigassem a participação dos estudantes em projetos sociais.
Sue Gardner também foi uma das palestrantes do 8º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). Com a liderança dela, o parque ganhou modos inovadores de engajamento da comunidade urbana à causa de conservação ambiental. Tanto que a iniciativa é considerada de vanguarda na construção de parcerias, participação e articulação.
Para a norte-americana, os jovens ainda são mais fáceis de recrutar para o voluntariado do que adultos. "Se eles gostarem, eles chamam os amigos, mostram nas redes sociais", observou. Mas como fazer eles gostarem? "Você precisa estar preparado para receber o voluntário. Se ele não vê importância naquilo que está fazendo, ele não volta", ensinou.
A psicóloga Rita de Cássia Lous, coordenadora do voluntariado do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, disse que a cultura do voluntariado ganhou mais força no Brasil a partir de 2000, escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Voluntariado. Ela lembrou que antigamente a atividade estava relacionada à caridade. "Mas hoje o voluntariado já está sendo encarado como uma questão social. As pessoas perceberam que são voluntários para transmitir alguma coisa boa para os outros, mas também para receber, para satisfação pessoal", explicou.
Assim como Sue Gardner, Rita Lous acredita nos benefícios do voluntariado para os adolescentes, tanto que há projetos no hospital agregando os jovens. "Os professores perceberam mudanças de comportamento nos alunos voluntários, melhorando muito a questão do consumismo. Eles começaram a refletir mais no que é a vida de verdade", comentou.
Roseli Bassi, fundadora e gestora do Instituto História Viva, não vê muitas dificuldades em recrutar voluntários para a sua causa de levar a leitura para crianças, adultos e idosos em hospitais, abrigos e asilos. "A maior dificuldade é na manutenção dos voluntários", destacou. Isso porque muitos contadores de história desistem do trabalho devido às dificuldades de conciliar horários. Além disso, como os projetos envolvem pessoas em situação de fragilidade, há voluntários que acabam entrando em conflito pessoal.
Às vésperas de completar 10 anos (próximo 7 de novembro), o Instituto está presente em cinco municípios de Paraná, Santa Catarina e São Paulo, chegando ano que vem no Rio de Janeiro. São 300 voluntários ativos e milhares de pessoas que já passaram pelos seus cursos de capacitação.(A.D.C.)

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