A difícil relação entre pais e filhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de agosto de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Quem nunca teve dúvidas sobre como educar os filhos? Especialistas no assunto divergem nas recomendações, dependendo da situação envolvida. Mas em um ponto a maioria concorda: o amor dos pais pelos filhos deve ser incondicional. Para a psicóloga paranaense Lídia Weber, que publicou recentemente o livro ''Eduque com Carinho'', esse deve ser o princípio básico para uma educação positiva.
''Amar incondicionalmente vai além de demonstrações de afeto e carinho. É uma habilidade dos pais de mostrar ao seu filho que seus pensamentos e sentimentos podem ser expressos livremente e sem risco para o relacionamento. Amar incondicionalmente não é só elogiar, dizer coisas boas, presentear, mas é aceitar o seu filho, é valorizar as atividades e as escolhas que seu filho está fazendo'', descreve Lídia em seu livro, que reúne outros 11 princípios da disciplina positiva (veja nesta página).
A publicação é resultado da vivência da autora com o tema e das sensações captadas pela pesquisa feita entre alunos de escolas públicas e particulares pelo Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que é coordenado por Lídia. ''Os filhos responderam que seus pais nem sempre sabem onde eles estão quando não estão na escola, raramente os incentivam ou mostram orgulho, dificilmente passam um tempo conversando com eles e raramente os elogiam quando fazem algo bom. Pelo contrário, muitos contavam que quando faziam algo bom ou tiravam notas boas, os pais só diziam: você não faz nada além da obrigação'', relatou a psicóloga.
Pelas respostas dadas pelas crianças e adolescentes na pesquisa, Lídia concluiu que mais de um terço dos pais (35%) assume o gênero negligente, que não impõe limites e demonstra pouco afeto. Percentual semelhante é participativo, estilo considerado pela psicóloga como o ideal, já que além de dar muito afeto aos filhos sabe como manter a autoridade e exigir obediência às regras e limites.
Os outros 30% ficam divididos entre os estilos autoritário que, em geral, confundem disciplina com punição e o permissivo, que, apesar do lado positivo de dar muito afeto, não sabe impor limites.
A educação inadequada, segundo pesquisas mundiais, trazem como reflexo futuro comportamentos anti-sociais, dificuldades de relacionamento afetivo, fraco desempenho acadêmico, correlação com depressão, baixa auto-estima, pessimismo e estresse. ''Os filhos de pais com estilo participativo-democrático entendem o respeito mútuo e as consequências do seu comportamento e sua responsabilidade no processo e, sobretudo, sentem-se valorizados, amados e gostam da vida. Tornam-se adultos com elevada auto-estima, menor nível de estresse e depressão, maior otimismo, boas habilidades sociais e percepção de auto-eficácia'', contrapõe Lídia.
Serviço- ''Eduque com Carinho é dividido em dois volumes: um destinado aos pais (160 páginas) e outro aos filhos (32 páginas), com linguagem mais acessível e exercícios lúdicos. Outras informações sobre o livro no site www.jurua.com.br


