Aos 34 anos de idade, a balconista Maria Aparecida da Cruz vive um drama que atinge centenas de brasileiros: encontrar um doador de medula óssea fora da família. Ela descobriu que tinha leucemia mielóide há 10 meses num exame ginecológico de rotina. ‘‘Foi um choque. Eu tratava de um cisto no ovário e nunca imaginei que o cansaço que sentia pudesse ser algo tão grave. Tive muito medo de morrer’’. Na época, os médicos lhe deram 10 dias de vida, mas ela superou as expectativas e hoje segue à risca o tratamento quimioterápico.
Todas as quartas-feiras ela deixa Pitangueiras (84 km ao norte de Londrina) de madrugada para chegar bem cedo ao Hospital Universitário de Londrina. É aí que ela faz exames para manter o equilíbrio imunológico do organismo e recebe orientações médicas. ‘‘Preciso beber de três a quatro litros de água por dia para eliminar o excesso dos remédios que são muito fortes. Também não posso fazer consumir álcool e nem fazer muito esforço’’.
Maria Aparecida não aparenta estar doente. Segundo ela, sua resistência se deve à fé em Deus e no apoio da família e amigos. Desde que recebeu o diagnóstico de leucemia, sua prioridade é encontrar um doador. Para isso, ela espalhou cartazes em igrejas, escolas, postos de saúde, repartições públicas de várias cidades da região. Até agora, 160 pessoas atenderam seu apelo, mas nenhuma delas pode ajudá-la. Há um mês e meio, a balconista se cadastrou no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), com sede no Rio de Janeiro.
A doença não trouxe apenas angústia, mas também adiou alguns planos da balconista. A casa própria e a conclusão da Faculdade de Ciências em Cornélio Procópio ficaram em segundo lugar. ‘‘Quero viver para ver meus dois filhos crescerem’’, desabafou a paciente.
A falta de informação é outro obstáculo na busca por medula óssea. De acordo com a assistente social do HU, Tereza Casali, o transplante é simples e a recuperação rápida. Para ser doador, a pessoa precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e boa saúde.
‘‘A maioria das pessoas não sabe como é fácil um transplante de medula e nem da importância que ela tem. Mas isso não me desanima. Tenho fé que vou recuperar a saúde e retomar minha vida’’, disse Maria Aparecida.
Mais informações em Londrina no Departamento de Serviço Social do HU através dos telefones: (43) 371-2256 e 371-2316.

mockup