Quanto maior a diferença entre o eu real e o eu ideal, maior o sofrimento, ensina o psicanalista Ailton Bastos. É preciso adequar as expectativas de vida para crescer. ''A inveja é dissimulada porque a pessoa não admite que sente. Se admitir, estará declarando sua incompetência ao mundo'', explica. ''Se não posso ser como ele, vou diminuí-lo então'', exemplifica.
A inveja é também inversamente proporcional ao grau de maturidade do indivíduo, adverte Bastos. ''Existem os eternos insatisfeitos, que sempre percebem aquilo que lhes falta, aquilo que poderia ser melhor'', enumera. A solução, aconselha, é reconhecer a si próprio e tomar decisões.
No entanto, avalia o psicanalista, a geração atual é incapaz de enxergar o outro e vive em busca do prazer individual. ''Os pais criam verdadeiros reizinhos do mundo, que não sabem se relacionar com o sucesso do amigo'', declara.
''O sistema familiar é doente. Os pais não permitem que os filhos resolvam seus próprios problemas e acabam criando filhos com baixa tolerância à frustração e baixa autonomia'', constata Bastos.
Segundo ele, ao invés de educar os filhos para a carreira, os pais deveriam criar os filhos para a vida. ''O mundo corre muito rápido. Todo mundo tem pressa e quer atalhos para viver a vida. Não quer seguir um caminho. Mas a vida é o caminho'', conclui. (M.G.)

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