A dengue não para nem no frio
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Com a mudança climática típica do outono, grande parte da população volta a atenção para as doenças respiratórias e a gripe, e se esquece que o mosquito Aedes aegypti continua espalhando o vírus da dengue.
O que muita gente desconhece é que mesmo no frio o mosquito segue desovando cerca de 70 ovos em recipientes secos, que possam acumular água. Basta chover a uma temperatura até 19 graus Celsius para que os eles eclodam. Cada embrião consegue sobreviver entre um ano e meio a dois.
"Nossa grande preocupação é o descuido da população. Nesta época do ano as pessoas tendem a se cuidar mais em relação à gripe e outras doenças e acaba se esquecendo dos recipientes que podem acumular água, seja no quintal ou em terrenos baldios", declara o coordenador de Endemias de Londrina, Jorge Augusto Sá.
Ele comenta que o período de seca e queda na temperatura registrados no início do mês favoreceram a diminuição no número de focos, porém as notificações e casos confirmados não reduziram. De acordo com Sá, até semana passada eram 4.780 notificações e 794 confirmações. "Destes, 706 são autóctones, 78 importados, três casos de dengue clássica com complicações e dois de febre hemorrágica. Felizmente, todos estão fora de perigo e nenhum óbito foi registrado na cidade", afirma.
O último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Lira) na cidade foi feito em março, registrando 6.2% ou seja, de cada 100 imóveis vistoriados seis apresentaram foco do mosquito. Vale lembrar que o índice preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de igual ou inferior a 1%. O segundo levantamento está programado para julho.
Ainda de acordo com Sá, apesar dos focos estarem espalhados por toda a cidade, a zona norte representada pelos bairros Aquiles Stenghel, Maria Cecília e Luiz de Sá apresentou um número significativo de casos positivos e suspeitos. "No início da semana contamos com a colaboração da 17ª Regional de Saúde para aplicação de fumacê pesado naquela região, mas as ações seguem em todo o município com 241 agentes, porque a dengue não para", ressalta.
Ligações
Moradora do Conjunto Maria Cecília, Valquíria Aparecida Correia afirma tomar todos os cuidados, principalmente nesses dias chuvosos. "Algumas gotinhas de água já são suficientes para o mosquito procriar. Apesar de eu tomar cuidado em casa, deixando todas as garrafas viradas para baixo, os vizinhos também têm que colaborar. Moro perto de um ferro-velho e fico bem preocupada", diz.
Outra moradora, Terezinha de Jesus Bruno disse desconfiar do alto índice de infestação na região, por causa das constantes aplicações de fumacê e da intensidade das visitas dos agentes de Endemias. "Eu me sinto segura com essas ações, mas o problema é o descuido das pessoas. Se todo mundo tomasse os cuidados que são necessários, nosso bairro não estaria em alerta", comenta.
Além da programação da Secretaria Municipal de Saúde, o setor de Endemias continua atendendo imediatamente as denúncias feitas pelo Disque Dengue (0800 400 18 93), todos os dias, até as 17 horas. "Este serviço é muito importante. Por dia, recebemos uma média de 15 ligações denunciando imóveis com possíveis criadouros do mosquito", completa.


