'A demanda está aumentando'
O Colégio Estadual Vicente Rijo, de Londrina, tem atualmente 60 alunos com algum tipo de deficiência intelectual matriculados, além de outros 30 que são de outras instituições mas participam de atividades no contraturno escolar no colégio. De acordo com a coordenadora de Educação Especial da instituição, Lilian Cristina Garcia, em quase todas as salas há um aluno com deficiência. São várias as síndromes atendidas e ela disse que cada caso recebe um atendimento especial.
Apesar da maior parte dos estudantes frequentarem as aulas no ensino regular, o colégio conta com três turmas especiais - salas de recursos - para receber aqueles com maior dificuldade de sociabilização. Estas turmas recebem alunos com deficiência intelectual, transtorno funcional específico, dislexia, bipolaridade, esquizofrenia, síndromes, entre outras dificuldades. ''No ano que vem teremos que abrir outras salas, a demanda está aumentando'', disse Lilian.
Entre os que estão em sala de aula regular, alguns têm o acompanhamento de um Professor de Apoio em Sala (PAS). Este professor fica ao lado do aluno durante todo o tempo orientando para que possa aproveitar ao máximo o conteúdo ministrado pelo docente titular da turma. ''Este atendimento diferenciado não atrapalha os demais estudantes. Conversamos com a turma sobre isso e trabalhamos com eles a questão do respeito e dos limites'', afirmou.
Atualmente são seis os professores de Ensino Especial, mas os demais também buscam ajuda e trocam experiências entre si para lidar com estes estudantes. ''Cada aluno com deficiência é um desafio diário'', destacou. Os valores trabalhados com os alunos dependem de cada caso mas em geral abrangem a auto estima, o preconceito, a conscientização e a sociabilização.
Para Oscar Filla, professor de Educação Física, com a inclusão dos alunos as mudanças começam no planejamento das aulas. ''Quando planejamos uma aula tentamos pensar na totalidade das crianças. A participação e a inclusão de todos faz com que cada um reconheça seu limite e respeite o limite do outro'', destacou.
Diogo Janes Munhoz é PAS do aluno matriculado na quinta série do colégio. Para ele este é um trabalho de extrema importância, principalmente no caso deste aluno. ''Nesta deficiência a pessoa tem a parte cognitiva preservada e precisa ser trabalhado o lado emocional'', disse. Sem a presença de Diogo o aluno atrapalha a aula e não consegue prestar atenção. ''Comecei este trabalho em abril e percebemos um grande avanço. O processo de inclusão só acontece se existir um real apoio estrutural da escola'', concluiu. (M.A.)





