Fazer com que cada um descubra a própria potencialidade para resolver os problemas que afligem a vida é um dos objetivos principais da Terapia Comunitária conceito desenvolvido há 15 anos pelo médico cearense Adalberto Barreto, que esteve em Londrina esta semana, ministrando curso de capacitação para cerca de 60 servidores municipais das secretarias de Ação Social, Mulher e Saúde.
O curso era uma reivindicação antiga do setor, que aguardou pela sua efetivação nos últimos seis anos. Ele foi realizado na Unopar, de quinta a domingo, sendo este o segundo módulo, de uma série de quatro, com conclusão prevista em julho do ano que vem. Do início do trabalho, em novembro, já foram formados 20 núcleos de terapia comunitária em bairros carentes de Londrina, atendendo em média 2 mil pessoas.
Segundo Barreto, 80% dos problemas das pessoas poderiam ser superados com o trabalho da terapia comunitária, que não exige a especialização do interventor. ''Na capacitação, o terapeuta comunitário, que pode ser um líder religioso ou comunitário, aprende a intervir, tendo condições de fomentar no grupo a troca de experiências para a superação da dor apresentada'', ressaltou. Poucos casos, cerca de 20%, na sua opinião, realmente necessitariam de uma intervenção mais especializada, como de terapia individual com psicólogos e psiquiatras, e ingestão de medicamentos que podem causar dependência.
''Na terapia comunitária, os laços de solidariedade e afeto são reforçados e cada um compartilha a própria dor. Assim, evitamos discursos prontos do tipo 'sou o dono da razão', que acabam ofendendo a pessoa que está sofrendo'', destacou. Entre as regras básicas para participar da terapia estão o cultivo do silêncio quando o outro fala, não dar conselho, não julgar e, quando falar, usar sempre o pronome 'eu' para reforçar que a experiência compartilhada é sua, dando a devida dimensão aos fatos. ''Buscamos resgatar a autonomia e a co-responsabilidade do outro, e não a dependência.'' Assim como aprender a ouvir, a terapia comunitária promove o aprendizado da fala.
A Terapia Comunitária começou a ser praticada como projeto de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizado na favela do Pirambu, em Fortaleza. Hoje, 19 estados estão aplicando a metodologia, com formação efetuada de 3 mil grupos de terapia comunitária. O conceito já foi incluído em estudos da Unesco e, em maio de 2003, será apresentado na Academia Americana de Terapia Familiar, em Miami. Mais informações pelo site: www.4varas.com.br ou pelo telefone (85) 286-6049.

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