A Copa na divisa da Argentina e Paraná
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sábado, 03 de julho de 2010
Wilhan Santin Enviado a Barracão e Bernardo de Irigoyen 
Todos os dias ao abrir a porta de casa pela manhã, o caminhoneiro Daniel Andrade, morador de Barracão, cidade de 9,2 mil habitantes no Sudoeste do Paraná, dá de cara com a Argentina. Do outro lado da Avenida Brasil, onde ele mora, já é território do país vizinho. Apenas um pequeno canteiro separa as ruas de Barracão das ruas da cidade 'hermana' de Bernardo de Irigoyen. ''Nem parece que são dois países. Não fosse os letreiros deles em espanhol nem daria para notar'', diz o caminhoneiro.
Brasileiros atravessam o canteiro para comprar farinha, chocolate, vinho, medicamentos e cosméticos no outro país, favorecidos pela valorização da moeda nacional, com cada real comprando dois pesos. Quem tem carro, enche o tanque de gasolina na Argentina por apenas R$ 2 o litro. Os argentinos compram mantimentos e materiais de construção em Barracão.
Para completar a mistura, as duas cidades também se confundem com a catarinense Dionísio Cerqueira, formando o que é chamado por ali de municípios trigêmeos. Todos se dão bem. Há casamentos entre argentinos e brasileiros e os pontos comerciais de Bernardo de Irigoyen empregam brasileiros. Mas quando é época de Copa do Mundo a coisa muda de figura. A rivalidade existe.
Na sexta-feira, dia 2, os argentinos celebraram a derrota brasileira nas ruas de Bernardo de Irigoyen, terra natal do goleiro titular da seleção, Romero. Estouraram rojões. Ontem, os fogos estouraram do lado brasileiro para comemorar a derrota argentina. Teve buzinaço e carreata em Barracão e Dionísio Cerqueira desde que a Alemanha marcou o terceiro gol e decretou de vez a derrota dos hermanos, que tomaram 4 a 0 da Alemanha.
Do lado argentino, o clima era de um grande velório. Bernardo Cordeiro, 50 anos, dono de um mercado, resignava-se em frente à televisão. ''As jogadas não saíram. Parece mentira, mas nós e vocês (Brasil) estamos fora'', lamentou. ''O que vamos fazer'', indagava meio sem rumo Javier, 25, filho de Bernardo.
A única que parecia contente no mercado era a brasileira Daiane Makari, funcionária dos Cordeiro. Em território 'inimigo', ela não vibrou, mas disse baixinho ao repórter. ''É a nossa vingança. Ontem, eles festavam enquanto chorávamos''.
Em Barracão e Dionísio Cerqueira, a festa durou um bom tempo. Depois do apito do árbitro apareceram até vuvuzelas e carros com som alto, ecoando as músicas alusivas à seleção brasileira. Parecia que o Brasil havia conquistado a Copa.


