A visão detalhista faz de Antônio Ezídio da Silva, de 75 anos, um dos melhores e mais antigos alfaiates de Londrina. Com um jeito simples e bem-humorado de conversar, Ezídio diz que uma manga bem alinhavada e uma gola bem feita são qualidades que revelam um bom alfaiate.
A profissão ele aprendeu na adolescência. Vindo de Minas Gerais aos 6 anos, com mãe, pai e nove irmãos, Ezídio lembra dos tempos que trabalhou na lavoura, até que um dia o pai o levou para ''aprender uma profissão''.
Aos 13 anos, Ezídio começou a ter aulas com o calceiro ''Manelão'', que vendia os ternos para as alfaiatarias. Desde então, nunca mais parou. Aposentado há mais de 10 anos, o alfaiate diz que não consegue ficar sem trabalhar. ''Se eu ficar em casa, eu morro'', brinca.
Com 62 anos de profissão, Ezídio lembra dos tempos em que o trabalho era exaustivo pela demanda de serviços. ''Antes tinha alfaiate em tudo quanto é canto, mas hoje em dia é diferente. Os trabalhadores nessa área são poucos e a clientela caiu pela metade. Agora, quem costuma procurar nossos serviços são os mais velhos e aqueles que precisam fazer ternos sob medida porque não encontram no mercado'', revela.
Atualmente, a produção de Ezídio é de 10 a 12 ternos por mês, feitos com tecidos comprados na Huddersfield. Ao saber que a loja será fechada, o alfaiate lamenta: ''Isso é muito triste. Não existe outra loja tão completa como ela. Lá tem tudo que um alfaiate precisa'', diz ele, se referindo também à clientela que a partir do próximo mês não vai mais sair da loja e ir direto para as portas das alfaiatarias. (M.O.)

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