A cidade pode ser suja se assim quisermos. Privilegiar carros em detrimento de pedestres. Ela pode ter as calçadas quebradas que provocam tropeços constrangedores. Pode ter árvores desgalhadas que ameaçam fios e telhados. A cidade pode ser visualmente monótona se assim preferirmos. Em espaços amplos, pode refletir uma sociedade fixada em todas as formas de divulgação. A cidade pode nos ofender a cada passo. Mas, às vezes, ela pode nos surpreender, provocar um sorriso ou uma interjeição admirada. Pode ser enigmática como este quadro pintado em um muro da baixa Belo Horizonte, na área central de Londrina. Estão lá elementos de um deserto norte-americano, com o progresso vencendo o ambiente rústico. À frente está um cavaleiro feito de escapamento e canos de sabe lá qual modelo de carro. Ao seu lado uma reprodução, em tamanho fiel, de um cavalo. Está instalado na calçada, sob uma placa que impede paradas para apreciá-lo. (Lúcio Flávio Moura, de Londrina)

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