A cada cinco empregados em Cianorte, dois trabalham na indústria do vestuário, totalizando 15 mil, conforme dados oficiais divulgados pelo município. São 350 empresas: micro, pequenas e grandes, algumas com centenas de empregados e já descentralizadas em cidades vizinhas. Afirma-se que, da moda brasileira, 5% ou passa por Cianorte ou sai. Na formação do PIB (Produto Interno Bruto), estimado em US$ 130 milhões, as indústrias em geral (não só as do vestuário) representam 25,04%, superando a agropecuária (7,73%). Dos 57.360 moradores, apenas 7.753 estão na zona rural.
Notoriedade igual, ou talvez maior, só nas décadas de 60 e 70, por causa da erosão, tão calamitosa que atraiu geólogos do exterior. Em cima do arenito caiuá, que se desestabiliza ao perder a vegetação, a cidade não tinha 10 anos quando se constatou a primeira ameaça, em 1961. Logo ''a erosão estava invadindo Cianorte'', alarmou-se o então prefeito Nelson Prendin, mas sendo ele do MDB, oposição ao governo, não teria conseguido incluir o município nos programas da Superintendência de Controle da Erosão Urbana no Paraná (Sucepar).
Avançando na direção da Rua Maranhão, na década de 70, uma voçoroca deixou o ''terreiro'' da mãe-de-santo Maria Evangelina de Castro e casas vizinhas à beira do abismo. Evangelina incorporava o espírito de Mãe Biela, que prometia ''segurar a voçoroca''. Mas não houve jeito, foi preciso retirar os moradores. A famigerada ''Erosão de Mãe Biela'' seria ''enfrentada'' pelo prefeito Francisco Arieta Negrão (1977-1982), do partido governista.
''Em Cianorte, visite a maior erosão do Paraná, antes que acabe'', proclamou o prefeito em uma placa na entrada da cidade. ''O impossível fazemos agora, milagre demora um pouco'', afirmava-se em outra.
Reportagem da FOLHA (13.10.1978) informa que coube à Prefeitura tapar a voçoroca, descarregando 80 mil caminhões de terra e entulho, ao custo de 4,8 milhões de cruzeiros.
O funcionário municipal René de Oliveira Costa, contemporâneo do fato, lembra que houve um mutirão, todo o entulho de cidades vizinhas era transportado a Cianorte. Atualmente, a área continua reservada para a descarga de entulho, embora a erosão tenha sido eliminada.(WS)

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