A cidade onde o tráfico não mata
A eclosão da violência e do número de assassinatos em cidades de médio e grande porte quase sempre tem ligações com o tráfico de drogas. Maringá é uma exceção. Embora seja rota de contrabando, e passagem quase obrigatória de traficantes vindos da fronteira com o Paraguai, a cidade convive com um tráfico que não mata.
Em Londrina, de acordo com a polícia, cerca de 80% dos homicídios estão relacionados com esse tipo de negociação, seja com participação da vítima ou do autor. Os crimes, quase sempre, são originados por disputa de espaço, rixa ou pela narcoinadimplência. ''É claro que temos tráfico de drogas na cidade, só que aqui ele é praticado em baixa escala. E, por enquanto, não tem influenciado diretamente no número de assassinatos'', disse o delegado Paulo Roberto Machado.
A execução de um casal no final do mês passado ande talvez na contramão dessa tendência. Os dois foram encontrados mortos dentro do carro, parado em uma estrada rural, perto do Aeroporto novo, entre duas plantações de soja. O filho do casal, de dois anos, que estava desacordado em cima do corpo do pai, teria presenciado o crime. A polícia suspeita que Paulo Sérgio da Silva, 22 anos, e a mulher dele, a enfermeira Andréa Batista de Oliveira, 30, tivessem ligações com o tráfico. No carro, a polícia achou uma pequena quantidade de crack. Na casa das vítimas, mais 44 gramas de crack e quatro gramas de cocaína escondidos no fogão e no porta-jóias. ''É o único caso que temos suspeitas que tenha sido provocado pelo tráfico. Ainda assim, ele está quase solucionado'', afirmou o delegado.
A participação da comunidade tem sido também um instrumento redutor do comércio de entorpecentes, principalmente na periferia. São mais de 100 ligações diárias ao Disque-Narcodenúncia, serviço que garante o anonimato da pessoa que está denunciando. ''Sempre que temos oportunidade, divulgamos esse serviço. Essa parceria da população com a polícia tem funcionado muito bem no propósito de reduzir os índices de criminalidade'', ponderou o tenente Ademar Carlos Pascoal, do 4º Batalhão da Polícia Militar.
Em Maringá, o alto consumo de bebidas alcoólicas tem sido o principal causador de homicídios, apesar do número ser considerado pequeno quando comparado com cidade do mesmo porte, como Cascavel, que no ano passado registrou mais de 70 assassinatos. (G.G)





