'A casa é o caminhão'
Morar no caminhão, ouvir música sertaneja e tomar chimarrão. Assim é a vida de Nardeli Adolfo Kluge, 36 anos, morador em Rondonópolis, no Mato Grosso, e motorista de uma carreta.
Durante a última greve dos caminhoneiros, Kluge ficou seis dias parado no interior de Rondônia. Uma semana após o fim da greve, tem a sua própria avaliação do movimento: acha que a manifestação foi fraca. Não resolveu nada, a gente está pagando pedágio e as estradas continuam ruins. Tinha que ser R$ 1 por eixo, reclama, em tom de reivindicação.
Dono do caminhão que dirige, ele procura reduzir ao máximo as despesas da viagem e faz a própria refeição nas paradas para carregar e descarregar. A casa é o caminhão, aqui a gente faz um carreteiro, um feijão. Para ele o vale-pedágio não vai resolver o problema da categoria porque o dono da carga vai descontar o valor no frete do caminhoneiro e, no final, quem vai pagar a conta continuará sendo ele mesmo.
Kluge diz que o preço do óleo diesel também está inviabilizando a profissão. Enquanto ficou parado em Rondônia, Nardeli Kluge viu muitos colegas furarem o bloqueio e outros querendo ir pra casa. O pessoal é desunido, tinha muita gente querendo sair e assim não adianta nada, comenta.
O motorista afirma que não há segurança nas estradas brasileiras e também reclama do comportamento de maus policiais rodoviários, que procuram defeitos no caminhão para aplicar multas ou exigir propina dos motoristas. Eles rodeiam o caminhão procurando alguma coisa errada, às vezes chegam a cortar o lacre da placa ou quebrar a lanterna para poder multar. (L.R.)





