A capoeira de Londrina para o mundo
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sábado, 23 de novembro de 2013
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Londrina -Foi em São Paulo, próximo a uma estação de trem, que Francisco da Silva ouviu pela primeira vez a musicalidade que vinha dos berimbaus. Ele se aproximou do grupo, passou a fazer aulas e hoje, aos 48 anos, é o referenciado Mestre "Fran", um dos fundadores da Associação Cultural de Capoeira Maculelê em Londrina.
Os 35 anos dedicados à capoeira têm tamanho reconhecimento que hoje Mestre Fran coloca Londrina em um patamar de referência no que se refere a esta cultura popular. Isso porque, em 1982, com a fundação da associação, o Maculelê se espalhou rapidamente pelas comunidades mais carentes e a cada dois anos atrai mestres e professores em um encontro para capacitação.
"A capoeira Maculelê é um núcleo de resistência da cultura popular brasileira. É uma luta popular que exige no mínimo 15 anos de prática para se tornar professor. Portanto, realizamos um encontro internacional para atualização, envolvendo interessados em disseminar esses conhecimentos, principalmente no exterior. Atualmente, a capoeira está presente em 165 países" comenta Mestre Fran.
Com o tema "Eu Amo Capoeira", o evento deste ano conta com a presença de 12 professores e mestres, 35 alunos estrangeiros e cerca de 180 capoeiristas dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Goiás.
"Para nós é como um curso intensivo de capoeira. Temos a oportunidade de aprender coisas e aplicá-las nos países onde vivemos", conta Jeferson Oliveira, de 28 anos, que reside em Londres, na Inglaterra, onde dá aulas para 38 adultos e crianças. "A capoeira é minha vida. Se não fosse por ela, talvez eu estivesse em um outro caminho, pois tive uma infância muito difícil no Jardim União da Vitória (zona Sul). Graças a ela (capoeira) eu tirei toda minha família de lá e pude dar uma melhor condição de vida para eles", desabafa.
Oliveira começou a praticar ainda criança, dentro de um projeto social. "Não tinha dinheiro para comprar roupa, nada. O Mestre Fran me ajudou muito, inclusive por me permitir a continuar treinando aqui na própria sede, sem pagar nada", completa.
O mexicano Eduardo Torres, de 35, também optou pelo caminho da capoeira em um momento crucial de sua vida. "Na adolescência, tive muitos problemas com drogas e gangues. Através de um amigo, conheci a capoeira e venho praticando há 18 anos", diz Torres, que também dá aulas na Flórida. "Eu percebo que os americanos se interessam por essa arte por ela ser completa. É cultura, é música, é filosofia, acrobacia e jogo", completa.
A costarriquenha Maria Hernandez, de 26, mora em Miami há 9 anos, onde ensina a arte para cerca de 60 alunos. "Eles veem como um estilo de vida saudável. Acho muito importante vir para o Brasil para me atualizar porque a capoeira evolui e, além disso, tem todo o axé brasileiro. Está no sangue. A gente percebe uma vontade diferente nos brasileiros e isso também nos faz bem", diz.
O Festival teve início no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e segue até amanhã, com uma grade intensa de programação, entre rodas de capoeira, workshops, palestras, batizados e formaturas. Hoje, às 11h30, será realizada a tradicional roda no Calçadão de Londrina. Atualmente, a Maculelê em Londrina conta com 80 capoeiristas na sede e filiais em projetos sociais.


