Londrina - Frutas, verduras, legumes, pastel, cantoria...A agitação normal das feiras livres ganha um ingrediente a mais em época de eleição – os cabos eleitorais, uma legião multicolorida que não bota banca como os feirantes mas usa de todo artifício possível para chamar a atenção do eleitor que vai à feira. Vale tudo: circular de camiseta com o nome e rosto do candidato estampados, agitar bandeiras, distribuir santinhos e brindes.
  Ontem de manhã, o maior movimento de cabos eleitorais e carros de som se concentrava na feira livre da Avenida Saul Elkind, região dos Cinco Conjuntos, zona norte, considerada a maior de Londrina. A oferta dos produtos pelos feirante ficava em desvantagem frente à potência dos carros de som que divulgavam as propostas e números dos candidatos. O corredor formado entre as barracas e as ruas próximas à feira foi tomado pela sujeira dos ‘‘santinhos’’ espalhados.
  O agito das campanhas eleitorais nas feiras de domingo já se tornou tradição. ‘‘É um grande veículo de comunicação’’, declarou um candidato a deputado federal, que circulava pela feira dos Cinco Conjuntos. ‘‘Como o espaço da TV é pequeno aqui dá para mostrarmos o nosso rosto e ouvirmos as queixas da população. É um lugar democrático’’, completou. Pelo menos outros dois candidatos, segundo os feirantes, já haviam passado pelo local.
  Mas não eram só papéis que estavam sendo distribuídos entre os freqüentadores da feira. Numa rua paralela à avenida, centenas de pessoas disputavam pintainhos vivos doados pela equipe de um candidato a deputado federal. ‘‘Tá válido né! Se distribui muito santinho, mas o pintinho é melhor, a gente cria e come’’, opinou a dona-de-casa Madalena dos Santos, 50 anos. Ela junto com a filha Denise Santos, 12 anos, levavam para casa quatro avezinhas e revelou que agora o galinheiro estaria com 22 aves, todas ganhas do mesmo candidato. Madalena não quis revelar se isso garantiria o seu voto.
  Entre os muitos cabos eleitorais que trabalhavam nas duas feiras - a da Rua Alagoas, área central, também foi visitada pela equipe da Folha - o destaque foi a pequena Maria Eduarda Jerônimo, de apenas cinco meses. Ele acompanhava a mãe e a avó que distribuíam santinhos de um candidato. E, apesar da confusão e da barulheira provocada pelo número de pessoas e carros de som, a menina não demonstrava espanto, ou melhor, parecia já estar acostumada ao cenário. A mãe, Franciele Jerônimo, 17 anos, explicou: ‘‘No domingo não temos quem cuide dela. Eu sei que judia, mas preciso trabalhar.’’

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