De segunda à sexta, Helen Miriam da Silva segue um itinerário à base de fôlego. Moradora do Conjunto São Jorge, ela precisa pegar três linhas de ônibus para chegar no terminal de integração Milton Gavetti, onde trabalha como vendedora em um quiosque.
''Primeiro pego a linha 401 - São Jorge até o terminal de integração Vivi Xavier, onde pego a linha 501, que segue até o terminal central. De lá, finalmente pego o 406 - Aquiles Stenghel, que pára aqui no Gavetti'', explica a vendedora, que não se queixa por ter que pegar três ônibus, mas pela lotação dos carros nos horários de pico (das 6h50 às 7h50 e das 17 às 19 horas).
''Já cheguei atrasada muitas vezes. Tem dia que o ônibus nem pára no ponto do bairro porque já estão com lotação máxima'', reclama Helen, que não é a única a ter aborrecimentos, pois é uma entre os mais de 50 mil usuários que utilizam o sistema de transporte diariamente na região. É como se toda a população das cidades de Bela Vista do Paraíso, Porecatu e Andirá viesse todos os dias para Londrina.
Dados do Perfil 2007, elaborado pela Secretaria de Planejamento de Londrina, apontam que 3,9 milhões de passageiros usam o transporte coletivo mensalmente. Destes, aproximadamente 1 milhão e 500 mil usuários são só da Zona Norte. ''Essa estimativa é feita a partir da contagem de ida e volta dos usuários, pois quem vai de ônibus, geralmente volta de ônibus também'', explica Alex José Luciano, analista administrativo da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Essa ''gigantesca'' demanda de usuários do transporte coletivo pode ser justificada pelo constante crescimento da região. ''Estima-se que atualmente o número de habitantes do município é de 500 mil, sendo 125 mil só da Zona Norte'', afirma Rosalmir Moreira, diretor técnico da Cohab. Dados do Censo 2000, realizado pelo IBGE, apontam que a região Norte já abrigava 107.347 habitantes, quando o município somava uma população de 425.406, o que representa 25% da população londrinense.
Para atender toda essa ''multidão'', a CMTU disponibiliza 43 linhas, que ligam os bairros com os terminais de integração -Milton Gavetti, Vivi Xavier e Ouro Verde - e com o Terminal Central. Mas Helen acha pouco. Para ela, é preciso mais carros nos horários críticos, principalmente no final da tarde. ''Isso aqui vira um caos, pois todo mundo está querendo voltar logo para casa'', comenta.
Segundo Gabriel Souza, do setor de fiscalização da operação do transporte coletivo, a lotação nos horários de pico é a campeã em reclamações, principalmente nas linhas 405 - Maria Cecília, 406 - Aquiles Stenghel e 501 - Vivi Xavier. ''São as mais pesadas'', afirma.
De acordo com Osvaldir Gomes de Oliveira, presidente da Federação das Associações de Moradores e demais Entidades Civis Organizadas da Zona Norte de Londrina (Famecol), uma boa solução seria disponibilizar mais ônibus expressos, que vão direto para o Terminal Central. ''Dessa forma, muitas pessoas que reclamam da demora ou da lotação teriam mais opções'', justifica.
O diretor de transportes da CMTU, Wilson Santos de Jesus, explica que nos horários de pico, a frota praticamente triplica e que a solução não é encher a cidade de ônibus. ''O horário de pico não ocorre só para o transporte, mas para a cidade em geral, principalmente no trânsito. Todo mundo entra para trabalhar no mesmo horário, então é natural que todos queiram embarcar no primeiro ônibus que chega no ponto, porém muitos desconhecem que em cinco minutos, já terá outro carro da mesma linha'', afirma.
Wilson explica que existem pesquisas de demanda visual, quando agentes analisam as linhas que necessitam de mudanças e, as pesquisas de sobe e desce, feitas de ponto a ponto de ônibus, em todas as regiões da cidade. Além daquelas feitas a partir das reclamações dos usuários. ''Quando a frota de ônibus não é suficiente para atender determinada região, a CMTU realiza essas pesquisas para adequar o sistema de transporte conforme a demanda. Porém, sempre aconselhamos os usuários a terem em mãos as tabelas de horários de ônibus. Se cada um tivesse conhecimento dos horários, com certeza não enfrentaria problemas como a lotação'', diz.
Serviço:
As tabelas dos horários de ônibus podem são distribuídas no Terminal Central, no setor de atendimento, no piso intermediário ou então, pelo telefone 3356-5252.

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