Paulo Henrique de Souza, de 18 anos, não come nenhum tipo de verdura. Entre seus pratos preferidos estão os sanduíches de uma rede de fast-food e as frituras, como pastéis e salgados. Fã dos jogos eletrônicos, ele passa até 12 horas por dia na frente do computador, entre atividades de trabalho e lazer. Com 110 quilos e 1,86m de altura, seus hábitos representam boa parte dos jovens curitibanos de sua faixa etária.
Uma pesquisa divulgada essa semana pelo Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), aponta que a maioria dos adolescentes entrevistados de Curitiba (85,5%) não praticam atividade física e não se alimenta corretamente (69% não comem frutas e 53,5% hortaliças). Segundo um dos coordenadores do trabalho, Ciro Rodrigues AÀez, os resultados encontrados são alarmantes, pois indicam que uma futura geração de obesos está a caminho. ''Os hábitos alimentares são educados na infância, mas os problemas se manifestam a longo prazo, como hipertensão e diabetes'', adverte.
A pesquisa ouviu 1.818 adolescentes entre 15 e 17 anos matriculados em 20 escolas da rede pública de Curitiba. Constatou-se que 12,11% dos entrevistados estavam acima do peso ideal, isso é, tinham o Índice de Massa Corpórea (IMC) - resultado da divisão do peso pela altura - acima de 25. Sob esse critério, Paulo Henrique pode ser considerado obeso, pois seu IMC é igual a 31,8. Essa condição já lhe trouxe problemas de saúde. Ao fazer um exame de rotina há 4 anos descobriu que estava com o colesterol alto. ''Tive que fazer dieta para controlar, depois passou e voltei a comer de tudo'', conta ele.
De acordo com AÀez, o sobrepeso é um problema mundial. ''O número de indivíduos acima do peso dobrou nas últimas décadas'', afirma. Entre os jovens de Curitiba, constatou-se que 9,97% das meninas e 16,78% dos meninos estão com o IMC acima do recomendado. Esses percentuais ainda são menores daqueles registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na região Sul, onde 17% das meninas e 22,6% dos meninos foram considerados acima do peso. Mesmo assim, o coordenador da pesquisa alerta que esse é um fenômeno crescente, pois está enraizado em maus hábitos contemporâneos. ''A causa é a má alimentação e os baixos níveis de atividade física. Hoje em dia o lazer é passivo, até o futebol é no computador'', explica.

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