A cada três dias uma pessoa foi agredida a ponto de ser hospitalizada em Londrina. Segundo dados do SIH/SUS (Sistema de Informações Hospitalares do SUS), em 2018 foram registradas 143 internações por causas externas em Londrina, motivadas por agressões, das quais 53 por armas de fogo ou armas brancas. Em 2017 esse número foi de 183 e em 2016 foram 155. Na sequência, em 2015 houve 178; 181 em 2014; 230 em 2013; 225 em 2012 e em 2011 foram 219. Os dados de 2018 são até setembro, última atualização disponibilizada pelo Sistema.

Desde 2011 até setembro de 2018 foram gastos mais de R$ 3 milhões com internações provocadas por agressões. Esse valor é quase o mesmo da licitação realizada e setembro de 2018 (pregão 189/2018) para a aquisição de 79 lotes de materiais de construção para uso pelas secretarias de Agricultura, Obras, Educação, Cultura, Assistência Social, Saúde, Defesa Social, Corpo de Bombeiros e Acesf em pequenas reformas e reparos.

Nesses dados sobre as internações motivadas pela violência não são calculados o atendimento pré-hospitalar realizado pelo Samu ou pelo Siate, nem o pós-hospitalar. "Caso esses gastos entrassem com certeza o valor seria muito maior do que este aqui", destacou a diretora de Vigilância em Saúde da secretaria municipal de Saúde, Sônia Fernandes. "Infelizmente a solução desse problema não passa pelo setor da saúde e ficamos só com as consequências dele", apontou. "É um gasto necessário até que se resolva a situação da criminalidade. Se houvesse redução dessa violência e dos acidentes de trânsito poderíamos fazer investimento na atenção básica, que deveria ser o alvo da saúde pública."

BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros de Londrina atendeu entre o dia 1º de janeiro e 27 de setembro de 2018 230 ocorrências de agressões no município, que vitimaram 157 pessoas do sexo masculino, 66 do sexo feminino e os demais não foram especificados. Do total, quatro foram a óbito no local. As ocorrências envolvendo armas de fogo e brancas não estão incluídas nesses casos de agressão. Foram 74 ocorrências que geraram vítimas com ferimentos por arma branca, sendo registrados três óbitos. Os bombeiros também atenderam 85 ocorrências que causaram ferimentos por arma de fogo. Quarenta e um pessoas morreram no local.

Segundo o tenente Victor Aparecido Matias da Rocha, oficial do Corpo de Bombeiros, essa violências interpessoais são cíclicas, mas em geral o nível não muda muito. "Na época de fim de ano, por exemplo, acontecem muitas agressões."

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