‘A cada dia uma nova batalha’
Do grupo de ex-drogados que está iniciando um trabalho de conscientização em Goioerê, ninguém tem uma história tão deprimente provocada pelas drogas quanto Rodinei Peres Lopes, 29 anos. ‘‘Cheguei ao fundo do poço’’, conta. Lutando contra as drogas há nove meses – com uma recaída, há quatro – e frequentando a Assembléia de Deus há menos de um mês, Rodinei conta que foi ladrão de carro e até garoto de programa, em Curitiba, para poder comprar as drogas.
O mais recente ex-viciado do grupo de Goioerê admite que a batalha contra as drogas não é fácil. ‘‘É uma luta diária. Vou dormir toda noite contente, achando que fui um vitorioso por ter resistido mais um dia, mas acordo no outro dia sabendo que a guerra não acabou e que passar por mais esse dia sem drogas é uma nova batalha’’, relata, emocionado. Para evitar novas recaídas, ele assiste a todos os cultos da Assembléia de Deus em Goioerê.
Rodinei experimentou droga pela primeira vez aos 13 anos. ‘‘Ganhei de um tio’’, lembra. A cocaína ele conheceu aos 18 anos, no quartel do Exército, em Curitiba. Com a ajuda de um cabo, ele furtava morfina no quartel e a usava como droga injetável. ‘‘Um dia descobriram droga no meu armário e fui expulso’’, conta. Fora do Exército, Rodinei não largou as drogas. Foi preso cinco vezes – duas por drogas, uma por furto, uma por lesão corporal e uma por estelionato.
Graças às drogas, Rodinei foi preso em Guarapuava quando levava um carro roubado para Foz do Iguaçu. Foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão em regime aberto, pena que ele ainda cumpre e que o obriga a apresentações mensais no Fórum. Rodinei também perdeu a família. ‘‘Trancava minha mulher e minha filha no quarto para poder me drogar na sala’’, conta. ‘‘Ela me aguentou demais.’’
No auge do vício, Rodinei também roubava familiares e a própria mãe. ‘‘Tudo o que eu pudesse vender para comprar drogas, eu vendia. Minha família já sabia que não podia deixar nada perto de mim.’’ Nessa época, ele também chegou a se prostituir. ‘‘Fui garoto de programa de madames em Curitiba’’, ressalta. ‘‘Eu tinha carro, tinha mulher e tinha sexo, mas não era feliz. Eu era apenas um covarde escondido atrás das drogas. Hoje eu sou feliz.’’ (S.S.)

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