À caça de pequenos tesouros
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domingo, 25 de dezembro de 2005
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Um selo fabricado nos Estados Unidos teve tiragem limitada porque a imagem do avião, impressa no papel, foi feita do lado contrário. Pode parecer bobagem, mas é justamente esse o tipo de selo, uma raridade, que os filatelistas (colecionadores de selos) procuram.
Não é só a busca pela raridade, mas principalmente o prazer de juntar objetos o que motiva qualquer colecionador, sejam selos, moedas, embalagens de cigarros, chaveiros ou até mesmo figurinhas.
Apesar de não serem encontrados com tanta frequência como há alguns anos, os colecionadores continuam existindo. Hoje a Internet tem sido um facilitador, proporcionando contatos com colegas de diversas partes do mundo.
O educador Juliano Zanoni, 28 anos, coleciona selos desde os 12 anos de idade. Hoje, ele possui cerca de cinco mil selos e boa parte foi adquirida por meio de leilões virtuais. ''Compro pela Internet e também nos encontros de clubes e associações. A filatelia não está morta, está apenas adormecida. Na Internet você consegue encontrar muitos colecionadores'', diz.
Para Zanoni, o mais interessante na coleção de selos é o conhecimento histórico que ela pode proporcionar. ''O que mais gosto é do militarismo. Por meio dessa coleção aprendi muito sobre as Cruzadas, Primeira e Segunda Guerra Mundial, Revolução Russa, entre outros momentos da história'', ressalta.
Apesar de não ter o hábito de fumar, o estudante de Ciências Econômicas, Marcos Ferreira Calumbi, 23 anos, coleciona embalagens de cigarros desde os 12 anos. Sua coleção reúne cerca de 2.700 marcas, entre caixinhas e maços antigos, novos e de diversos países.
As caixinhas ficam em grandes gavetas, os maços vão para as pastas. Muitos acabam ficando por cima dos móveis. Ele também guarda embalagens de cigarrilhas, latas de charutos e até os selos que lacram os maços. Apesar de já ocupar boa parte do espaço do quarto, Calumbi garante que não sente vontade de parar com a coleção.
''Além de ser prazeroso, colecionar pode proporcionar às pessoas a noção de organização e disciplina. Além de comprar e trocar, também conto com a ajuda de amigos fumantes que sempre guardam para mim caixinhas novas ou diferentes'', diz.
Terapia Ocupacional As diversas atividades da casa e a correria do dia a dia no trabalho não atrapalham a vida em família da operadora de telemarketing Fabiane Milian, 28 anos. A paixão por colecionar existe desde a infância, mas, hoje, ela diz que é ''uma terapia ocupacional''.
Fabiane colecionou papéis de cartas quando era menina. Hoje os 200 papéis estão guardados com carinho, mas o hábito de colecionar continuou com a coleção de figurinhas do álbum Liga de Futebol 2005. ''Minha filha adora. É uma terapia. Eu fico interagindo com minha família o tempo todo. Com minha filha porque ela gosta das figurinhas e, com meu marido, que gosta de futebol'', diz.
Ela também confessa adorar futebol. Não torce para nenhum time específico, mas garante que as figurinhas esclareceram diversas dúvidas sobre times e jogadores. ''Eu torço para o time que joga um bom futebol'', ressalta.
A coleção de Fabiane não pára por aí. Junto com a filha, ela já preencheu um álbum de figurinhas dos Ursinhos Carinhosos e agora se dedica à coleção que que foi lançada recentemente nas bancas de revistas, do bruxinho Harry Potter.
''É muito bom colecionar. O prazer vai desde a gente destacar as figurinhas para colar até as grandes amizades que fazemos. Já conheci meninos de sete anos e senhores de 60 que colecionam e hoje somos grandes amigos'', destaca.


