Dezembro de 2006. Dias antes do Natal, na iminência da temporada de praia, a empresária Karen Hummig decidiu recorrer aos serviços da personal trainer Luciani Campos. Queria esculpir ainda mais as formas em cerca de 15 dias. A atitude de Karen, que já era adepta da malhação, é, segundo muitos especialistas, a favorita de iniciantes: sem ter feito o dever de casa durante o ano todo, adolescentes e adultos se inscrevem nas academias, em busca do corpo perfeito, às vésperas da chegada do verão.
Em uma sondagem feita pela reportagem da FOLHA, tomamos nota que, em algumas academias, o índice de desistência de alunos que depositam todas suas forças na chamada ‘‘Operação Verão aos 49 minutos do segundo tempo’’, é de 60%, após a temporada regida pelo sol.
A virada de Karen
Mãe de dois filhos, Karen Hummig faz parte do levante que se alistou e não desistiu, no exército do supino, agachamento, extensora, flexora, entre outros exercícios. ‘‘A Luciani me aconselhou e eu segui à risca: treino musculação três vezes por semana e intercalo minha malhação com dias de corrida ao ar livre’’, afirma a empresária.
A idade, para muitas sinônimo de segredo de Estado, no caso de Karen não gera temores: ela tem 41 anos. ‘‘Minha vida mudou. Sinto que hoje sou uma pessoa mais regrada. Com a assiduidade, meu metabolismo melhorou bastante e, conseqüentemente, perdi gordurinhas localizadas’’ entrega.
Personal trainer de Karen, Luciani Campos sustenta que a procura pelas academias, na reta final do ano, não é o melhor caminho. Deve-se começar antes. ‘‘No atendimento personalizado, temos uma maior fidelização. Mas, em se tratando das academias, em geral, a queda na freqüência existe: os alunos entram, malham, obtêm poucos resultados e só voltam no ano seguinte. Assim não funciona, dois meses de treinamento é muito pouco’’.
Ao relembrar o pedido de Karen, um ano atrás, a personal trainer faz as recomendações. ‘‘A Karen queria estar perfeita. Além de mostrar para ela que os resultados não são instantâneos, procurei incentivá-la o ano todo. Deu certo e hoje, vejo, fomos bem-sucedidas, em nossa empreitada’’.
As pupilas de Paôla
Com a agenda sortida, por conta da faculdade de Direito e do estágio na área, Rafaela Parra, 22 anos, pode ser vista, desde o último mês, ao lado de sua personal trainer, Paôla Burigo, no vaivém de uma academia e na pista de corrida do Lago Igapó. ‘‘Tenho o acompanhamento personalizado três vezes por semana. Fora isso, também dou minhas passadas e não deixo de correr’’.
Rafaela - que come de tudo, ‘‘mas nada em exagero’’, ressalte-se aqui -, fez do tempo seu aliado, na reta final de 2007. ‘‘Calhou de poder vir e eu não perdi a oportunidade’’.
Em busca preferencialmente de saúde, Rafaela já sente o saldo da mudança de atitude. ‘‘Desde que voltei a treinar, senti que meu corpo modificou, que estou mais disposta e, principalmente, mais motivada. Nós, brasileiros, temos a mania do jeitinho, mas, no meu caso, estou mais que ciente da minha continuidade com os exercícios’’.
Também treinada por Paôla Burigo, a empresária Márcia Schiavon só se arrepende de uma coisa, no que se refere ao hábito de suar o top, na academia: não ter começado antes. Aluna das mais disciplinadas, Márcia queima as calorias lançando mão dos exercícios aeróbicos e modela o corpo com a musculação.
‘‘Sou daquelas alunas que não faltam. E, quando falto, damos um jeito de repor: já perdi as contas de quantas vezes tive que viajar para São Paulo a trabalho, durante a semana, e, no sábado, lá estava firme e forte com minhas atividades’’, relembra Márcia, ao lado da professora, Paôla.
A disciplina, aliás, rendeu bons frutos. ‘‘Faço check-up anual e, em recente avaliação, me surpreendi: meu empenho foi recompensado e estou dentro da normalidade, segundo exames, e sou uma pessoa mais disposta, aliando todos benefícios ao ganho de massa muscular’’.
Zelosa com suas comandadas, Paôla serve de inspiração. Além de sempre se dedicar aos esportes, há dez anos faz academia. É a prova viva de que, para se obter o abdômen sarado e as coxas e glúteos em dia - os prediletos no treinamento do mulherio -, a rotina se converte em triunfo.
Infelizmente, segundo Paôla, as maioria das pessoas que lotam as academias, nesta época do ano, deixam tudo para última hora. ‘‘Observo muito essa prática nas academias e também no convívio social e acredito que isso engloba uma série de fatores. São raras as pessoas que gostam realmente da atividade física, sendo assim, vão adiando para a época do verão, na qual estão mais expostos e são praticamente obrigados a colocar seus corpos à mostra, já que nosso clima é bastante quente. Já no inverno quase não se mostra o corpo. Com a temperatura mais baixa, a disposição para treinar diminui e a vontade de comer aumenta, pois o corpo acaba gastando mais energia para se manter aquecido, fatores que acabam desmotivando ainda mais’’.
Como personal trainer, Paôla sente os reflexos também entre sua clientela. ‘‘A demanda aumenta bastante. Mas tenho trabalhado fortemente essa questão da saúde e da importância de treinar o ano todo e, desta forma, consigo manter muitos de meus alunos durante o ano’’.

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